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sábado, 26 de janeiro de 2013

Será a publicidade o motor da História? Por Eugênio Bucci


Será a publicidade o motor da História?  Por Eugênio Bucci 
O filme chileno No, de Pablo Larraín, foi exibido pela primeira vez no Brasil em outubro do ano passado, numa sessão exclusiva para convidados, na abertura da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Agora, no final de dezembro, entrou em circuito comercial. Grande vencedor da Quinzena dos Realizadores de Cannes 2012, o filme confirma nas salas brasileiras a sua carreira internacional vitoriosa. Agrada a espectadores de várias idades e vários recortes culturais.
Se o leitor habitual da página A2 do Estadão ainda não viu, deveria ver. O debate retratado na tela é do mais alto interesse para quem procura acompanhar os rumos políticos da democracia. O que é que a empurra numa direção ou noutra? Em que cadinho são sintetizadas as decisões coletivas? Qual o papel que a publicidade – ou, em termos um pouco mais amplos, o chamado marketing político – desempenha nesse jogo?
Para Karl Marx e Friedrich Engels, a luta de classes era o motor da História (grafada com H maiúsculo). Segundo a gente depreende do enredo brilhante de No, a coisa não é bem assim: o motor da história é uma mensagem bonita, vibrante de euforia, que “venda” bem. É nisso que o povo quer embarcar, é isso que o povo quer “comprar”. Moral da história (com h minúsculo), o motor da História, prezados camaradas, é a publicidade. Por essas e outras, o filme dá o que pensar – e dá margem a indagações um tanto perturbadoras.
Comercial de sabonete
Voltemos ao ponto de partida. No, como bom filme que é, trata de contar direito uma boa história; não tem nada de aula de ciência política, não é seminário de sociologia, não se perde em interpretações acadêmicas sobre os fatos que encadeia com esmero. O cineasta Pablo Larraín reconstitui com verossimilhança impressionante, num andamento de documentário, um fato histórico real: a campanha pelo “Não” (daí o título) realizada pelas oposições chilenas no plebiscito de 1988, que decretou o fim da ditadura de Pinochet.
O filme começa deixando claro que o que ocorreu ali foi um episódio, no mínimo, improvável. Internacionalmente pressionado a dar uma roupagem menos truculenta à sua tirania, o general Augusto Pinochet viu-se constrangido a convocar o plebiscito para consultar os cidadãos sobre se eles o queriam (ou não) no poder. No início da campanha o ditador posava de franco favorito, pois detinha o controle férreo sobre os meios de comunicação.
Com a autoconfiança típica do leão de chácara que virou dono da boate, Pinochet nem considerava a hipótese de derrota. Nisso, os integrantes das oposições concordavam com o carrasco: para quase todos eles, a hipótese de vitória era impensável. Acontece que, para dar uma aparência mais democrática ao plebiscito, o governo precisou conceder às oposições um horário de propaganda na TV. Foi aí que o impensável se pôs em campo. O horário era desfavorável (os filmetes das oposições iam ao ar bem tarde da noite), o ambiente era arredio, mas, mesmo assim, a maré começou a virar.
Por quê?
Porque os comunistas, os socialistas, os perseguidos, os liberais de oposição, o multicolorido balaio de gatos das oposições, foram buscar um publicitário de sucesso para dirigir sua campanha. Esse homem de mercado, por sua vez, recrutou outros bruxos do consumo e da linguagem comercial da TV. Nesse ponto,No fotografa com absoluta nitidez o momento histórico (cuja cronologia varia de país para país) em que o publicitário desbanca o ideólogo no comando da luta política. Em lugar das cenas de espancamentos e de repressão explícita, em vez do desfile das mães chorosas dos milhares de desaparecidos, os publicitários do No contrariaram os velhos ideólogos e deram preferência a musiquinhas, piqueniques, trocadilhos, anedotas, o que detonou a ira dos esquerdistas mais conservadores. Alguns deles se retiraram ruidosamente do comitê de campanha, que acusaram de ter-se vendido aos publicitários que degradavam as mais nobres causas humanitárias a apelos vulgares de comercial de sabonete.
Mercadorias desejáveis
Ou de micro-ondas. Não importa. No final, o “No” sagrou-se vencedor, embora num placar apertado: considerados os votos válidos, o “No” conquistou 56% do eleitorado, enquanto o “Si” obteve a adesão de 44% (e nisso está o dado mais intrigante: para 44% dos chilenos, o país sob ditadura ia muito bem, obrigado).
A vitória dos publicitários, contudo, não revogou o fundamento daqueles que se opuseram à transformação da campanha do “No” numa campanha publicitária como qualquer outra. Esse debate permanece e, por qualquer caminho que se queira abordá-lo, ele nos conduz ao centro da viabilidade (ou não) do projeto democrático nos nossos dias.
Será sólida e sustentável uma democracia em que os argumentos que não cabem em 15 segundos de televisão acabam descartados da agenda política? Que lugar resta para a razão numa comunicação política regida cada vez mais pela lógica do desejo, ou, pior ainda, pelo desejo de consumo?
Alain Touraine viu esse impasse há cerca de 20 anos:
“As sociedades complexas e de mudanças rápidas pouco a pouco deixam de ser sociedades de intercâmbio, da comunicação e da argumentação, para serem cada vez mais sociedades da expressão. (...). Cada vez menos tratamos com comunicadores e cada vez mais com atores.”
Eis aí uma equação ainda insolúvel. A publicidade infantiliza o seu público, tutelando-o como a um semi-inimputável; não tem parte com a busca radical da verdade, mas com a sedução em prol da venda de produtos, serviços ou ideias. Dirão que a política sempre foi isso, um comércio de ideias, mas, ainda assim, é o caso de perguntar: será essa a emancipação com a qual sonharam os liberais revolucionários do século 18?
Ótimo que o “No” tenha vencido no Chile em 1988, mas será que a transformação das causas políticas em mercadorias desejáveis é a nossa mais alta expressão de liberdade?
***
[Eugênio Bucci é jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM]
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br Reproduzido do Estado de S.Paulo, 10/1/2013. 

By JORNALISMO ANTENADO with No comments

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Ser Humano e o Livre Arbítrio


O Ser Humano e o Livre Arbítrio

“Onde está o Espírito do Senhor, aí há Liberdade.” Paulo-II Co,3:17

Chegamos a mais um final de ano e com ele começam as resoluções que todos se pré dispõe para o próximo ano. Alguns resolvem iniciar um curso de línguas, fazer uma pós-graduação, arrumar um emprego melhor, sair do aluguel, emagrecer, arranjar um namorado, engravidar, casar, enfim, para cada um essa lista de desejos tem como finalidade uma melhora em sua vida atual. A realização desses desejos passa pelo principal dom dado por Deus a seus filhos: a liberdade de escolha ou o que chamamos de livre arbítrio.
Utilizar este dom é que é o Xis da questão. Newton dizia que “a toda ação existe uma reação” e para cada escolha que fazemos diariamente em nossas vidas uma consequência será inevitavelmente equivalente. O homem não é fatalmente conduzido ao mal; os atos que pratica não “estavam escritos”; os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino. Ele pode sim, como prova e expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas será sempre livre de agir como quiser. E a mesma coisa acontece em todos os campos de nossa vida.
Um dos pontos mais marcantes da mensagem cristã que o Espiritismo revive é a aplicação da Lei de Liberdade. O conhecimento desta lei nos dá uma maior compreensão da grandiosidade de Deus e de sua Justiça. Uma realidade que o estudo sobre o Livre Arbítrio nos mostra é que ele nunca vem sozinho. Apesar de nos permitir agir como melhor quisermos sempre se fará acompanhar a responsabilidade, que é a resposta das Leis divinas e naturais à nossa ação, de tal modo que ela atenda aos nossos interesses de progresso e melhoria espirituais, construindo assim a paz junto à nossa consciência. Também devemos lembrar que a liberdade cresce no homem à medida que cresce o seu conhecimento dessas leis, como cresce também, na mesma proporção, a sua responsabilidade.
Conforme o ensino da Doutrina no Livro dos Espíritos questão 120: “Todos os espíritos foram criados simples e ignorantes, dotados de Livre Arbítrio, para vivenciarem o bem ou o mal”. A liberdade de escolha é a expressão da vontade do Espírito no discernimento de seus pensamentos e ações, ou seja, nenhum ser é levado à prática do mal por fatalidade, ou por determinismo da lei natural. Os Espíritos Reveladores nos ensinam que o que chamamos de fatalidade, corresponde à escolha pelo espírito de determinadas provas que deve sofrer no plano físico como forma de resgate ou aperfeiçoamento. Assim, o livre-arbítrio existe, no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas; e, no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos.
Cabe à educação recebida por cada um de nós, o combate às más tendências, e ela o fará de maneira eficiente quando se basear no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem a natureza moral, poderemos a modificá-la, como se modificam, por exemplo, a inteligência pela instrução e as condições físicas pela higiene. As faltas cometidas têm, portanto, sua origem  nas imperfeições do nosso próprio Espírito, que ainda não atingiu a superioridade moral a que se destina, mas nem por isso lhe é dado menor poder de escolha. Segundo a doutrina espírita, não existem arrastamentos irresistíveis: o homem pode sempre fechar os ouvidos à voz oculta que o solicita para o mal no seu  íntimo, como os pode fechar à voz material de alguém que lhe fale; ele o pode pela sua vontade, pedindo a Deus a força necessária e reclamando para esse fim a assistência dos bons Espíritos.
Portanto, apesar do que viemos estudando nas últimas semanas acerca das influências exercidas pelos espíritos desencarnados em nossas vidas, devemos lembrar também que a doutrina espírita admite para o homem o uso do livre-arbítrio em toda a sua plenitude.  Se, ao lhe dizer que, se pratica o mal, cede a uma sugestão má que lhe vem de fora, deixa-lhe toda a responsabilidade, pois lhe reconhece o poder de resistir, coisa evidentemente mais fácil do que se tivesse de lutar contra a sua própria natureza. Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.” Paulo (I Cor., 6:12). É isso que Jesus ensina na sublime Oração do Pai Nosso, quando nos manda dizer: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. Ao semear o que o nosso arbítrio escolheu, precisamos estar conscientes de que determinamos, simultaneamente, qual será a colheita. Logo, o determinismo compulsório de hoje é consequência da livre escolha de ontem, da mesma forma que as nossas opções atuais estarão desenhando, o nosso destino amanhã. Por conseguinte então, tudo nos é permitido, mas, antes da ação equivocada, façamos um segundo de pausa para pensar nos prós e contras, pesando bem, na balança do discernimento, a carga que pesará em nossos ombros em toneladas de angústia e remorsos por séculos infindáveis e tenebrosos.
Por falta de entendimento do livre arbítrio e de suas consequências, a maior parte das grandes religiões do passado e do presente, incidem em erros graves referentes à responsabilidade individual de cada criatura humana Somente com o Espiritismo, foi possível o entendimento racional da Justiça Divina, que leva em consideração o pensamento de cada ser, sua liberdade de agir, as circunstancias em que se encontram os embaraços que se opõem à liberdade e a responsabilidade final do Espírito. Se o indivíduo procura cercear conscientemente suas faculdades de discernimento, através de uso de drogas ou álcool, sua responsabilidade duplica, já que procurou anestesiar de propósito o uso de sua razão. Enfim quanto maior for sua capacidade de discernimento entre o que é correto ou não fazer, quanto mais desenvolvida a inteligência, maior será também a responsabilidade individual pelos seus atos. Da mesma forma uma criança que em sua inocência não é responsável pelo mal que pratica já que não tem a devida noção de sua ação.
Construímos, pois nosso futuro é todos os dias. Através de pensamentos e ações, o espírito e seu grupo cultural escolhem e determinam seus caminhos. Tendo essa certeza em nossas vidas devemos portando sempre lembrar o ensinamento “Orai e Vigiai”. Orar pedindo ao mestre Jesus a força necessária para a prática do Bem e dos bons pensamentos, segurança nas decisões tomadas e Vigiar nossas ações e reações a tudo que acontece ao nosso redor.  A evolução é o fundamento da vida e ocorre pela aquisição de conhecimentos em sentido amplo: técnico, afetivo, emocional, moral, filosófico, científico, religioso. O espírito adquirirá os novos conhecimentos através das experiências, vivências e convivências acumuladas ao longo de sucessivas situações pelas quais passa, tanto no polissistema espiritual como no material.

Ao somar conhecimentos novos, o ser modifica a visão que tem de si mesmo, dos outros, do mundo e de Deus, ou seja, amplia a sua consciência, evolui. O conhecimento e o comportamento resultantes das situações enfrentadas delimitam um caminho próprio para cada ser inteligente. De acordo com as suas escolhas, ele tem experiências diferentes e, em consequência, conhecimentos diferentes, que desenham uma sequência própria que lhe confere individualidade. Na construção do perfil que caracteriza como único cada espírito (inteligência, afeto, sentimento, valor, consciência) a liberdade de escolha, o exercício do livre-arbítrio, é o que permite ao ser inteligente alcançar os objetivos da vida.
Entretanto, como as experiências vividas são limitadas, o que o espírito sabe também é limitado. As dificuldades apresentadas na superação de algumas situações indicam as limitações do espírito. A solução, o conhecimento capaz de resolver a dificuldade, no entanto, não se encontra pronta; deve ser construída, adaptada às características únicas da situação e das pessoas envolvidas. A construção da resposta se faz da própria experiência do espírito ou da experiência acumulada pelo outro, encarnado ou desencarnado, que será adaptada ao edifício de conhecimentos do espírito, de acordo com a sua capacidade de raciocínio, seus sentimentos, seus valores e seu entendimento. É a liberdade de escolha que determina quais segmentos de conhecimento, tanto em qualidade como em quantidade, serão assimilados e como serão acomodados e equilibrados em relação aos conhecimentos que já constituem o ser, de forma coerente, para sustentar comportamentos.
Quanto mais adiantados estamos no entendimento da Doutrina Espírita, tanto em conhecimento como em moralidade maior a responsabilidade no uso de nossa liberdade de escolha, nosso Livre Arbítrio. Portanto os homens mais esclarecidos nas sociedades modernas, também são mais responsáveis que os ignorantes na prática de suas ações. Segundo Juvanir Borges “As dificuldades para a aceitação e o cumprimento desses deveres variam de conformidade com a consciência, a vontade de cada Espírito e a capacidade que cada um apresenta dentro das diversas categorias em que podem ser classificados: maus, ignorantes, convertidos ao Bem, arrependidos, redimidos, bons, superiores.”
O escritor ainda ressalta que somente com a “conquista da liberdade, dentro dos limites da responsabilidade dela resultante foi possível o reconhecimento dos direitos das minorias e a expansão de ideias novas contrárias a outras aceitas pela maioria, a retificação de erros seculares e  reorganização de leis humanas injustas.” A doutrina nos traz esclarecimentos decisivos sobre o verdadeiro sentido desse dom que Deus nos presenteou, patrimônio da humanidade deixado pelo consolador. Pensemos, pois melhor antes de tomar decisões de cabeça cheia ou de depositar expectativas demais nas coisas. O ser humano sempre achará mais fácil entrar pela porta maior que buscar a estreita onde está os verdadeiros ensinamentos de Jesus então se queres um desejo para 2013, peça força e ajuda para tomar decisões mais acertadas utilizando assim de forma coerente e responsável seu Livre Arbítrio.      

Fonte:Texto extraído de trechos do livro dos Espíritos, livro As Leis Morais, artigos do Jornal O Espírita Mineiro e artigo de Juvanir Borges de Souza na Revista Reformador e observações minhas a respeito do assunto.   
  Márcia Canêdo

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Portal Comunique-se: Capas falsas na web tentam confundir o leitor, esclarece Veja


Comuns em blogs e nas redes sociais, montagens feitas a partir do layout da revista Veja incomodaram o veículo, que resolveu falar sobre o assunto. Em matéria desta quinta-feira, 17, a versão online  da publicação da Editora Abril esclarece a questão e aconselha o leitor a consultar endereços oficiais no caso de dúvidas.
“Quem divulga imagens que simulam a revista quer brincar, elogiar, criticar – ou, eventualmente, confundir. No último caso, a escolha é infeliz. Para dirimir dúvidas, o leitor deve recorrer a endereços oficiais de VEJA na rede”, diz a abertura da matéria.

Ao longo do texto, Veja desmente algumas das paródias mais conhecidas: a entrevista com Darth Vader, personagem da saga 'Guerra nas Estrelas'; a montagem que anuncia benefícios da mistura de leite com manga e a capa em que o ex-presidente Lula leva um lenço ao rosto com a chamada "Interpol descobre – Desvio de mais de US 500 bilhões em paraíso fiscal em nome de 18 integrantes do PT". No caso, o site da revista apontou o erro na representação da moeda americana ("US" em lugar de "US$"), mas destacou semelhanças como o logotipo da Abril e o destaque para outros assuntos.
De acordo com o veículo, outra criação chamou atenção dos leitores de maneira mais séria. Dias depois de publicar detalhes do mensalão confidenciados por Marcos Valério, operador do esquema, uma edição falsa foi impressa e distribuída a jornalistas e blogueiros de São Paulo com uma capa semelhante, mas tendo Lula como personagem central. O texto dizia: "Ih, Lula – O Ki-suco ferveu”, entregando a farsa.
No fim da matéria, Veja lembrou algumas de suas capas que, segundo o próprio veículo, tornaram-se importantes registros históricos. É o caso da edição que tratou da promulgação do AI-5, em dezembro de 1968, - ilustrada pela foto do então presidente da República, o general Costa e Silva - e do exemplar que resumiu o afastamento de Fernando Collor de Mello da presidência, em outubro de 1992.


Fonte: portal.comunique-se.com.br em 17/01/2013

Márcia Canêdo 

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Todo mundo feliz - Zeca Camargo


“As melhores críticas que o dinheiro pode comprar”. Este é título de uma das matérias mais interessantes que li recentemente. Foi publicada domingo retrasado, no suplemento de negócios do jornal “The New York Times” e assinada por David Sreitfeld – e eu já imagino que você deve estar se perguntando o que eu estava fazendo fuçando o suplemento de economia de um jornal? Bem, ocorre que o caderno de economia do “NYT” é um dos mais divertidos da edição de domingo, com matérias inesperadas e inteligentes, capazes de atrair até mesmo quem não tem intimidade com o assunto – como eu (e com uma outra abordagem, que não o “economiquês” que faz os nossos cadernos de economia aqui uma aborrecida reciclagem dos anos 70…). Mas fora isso, o título da reportagem era irresistível! Como assim, “as melhores críticas que o dinheiro pode comprar”? Desde quando uma crítica pode ser comprada?
Bem, desde sempre, não é? História de corrupção nas artes não são exatamente novidade – remonta, arrisco, os tempos renascentistas quando a arte finalmente assumiu seu papel transformador na cultura ocidental. E certamente sobrevive, de forma discreta – com eventuais denúncias, de tempos em tempos (eu, por exemplo, tenho idade suficiente para me lembrar reportagens dos anos 70 sobre escândalos de “payola”, como é conhecida nos Estados Unidos, a prática de se pagar para que uma música toque em determinada rádio – e seja até mesmo elogiada pelos DJs e locutores). Como um repórter de cultura com mais de 20 anos “de janela” (ok, 25!), não posso esconder que, como leitor, já encontrei vários textos de favorecimento “suspeito” – que, felizmente, não são a maioria, nem a tônica da imprensa séria. Mas o que o artigo do “NYT” apresentava era um contexto totalmente diferente: um negócio, “oficial”, que se especializava em escrever críticas favoráveis de determinados livros em troca de um “modesto” pagamento!
Há cerca de dois anos, um certo americano chamado Todd Rutherford teve uma ideia: por que não escrever críticas positivas de livros auto publicados (a nova “ameaça” ao mercado editorial, cujo exemplo mais popular é o fenômeno “Cinquenta tons de cinza”, da inglesa E.L. James – publicado aqui no Brasil pela Intrínseca)? O momento parecia ideal: com os jornais perdendo cada vez mais leitores (para não falar dos jornais literários) – e até mesmo algum prestígio – as “críticas-relâmpago” que apareciam na internet (em sites como a da Amazon) estavam se estabelecendo como uma das peças mais importante na árdua tarefa de convencer um leitor a comprar um livro de um autor desconhecido. Como conta Streitfeld:
“Críticas de pessoas comuns têm se tornado um mecanismo essencial para vender qualquer coisa online: são usados para resorts, dermatologistas, restaurantes da vizinhança, butiques de alta moda, igrejas, astrólogos e curandeiros (…). Em vários casos, essas críticas estão suplantando os departamentos de marketing, as assessorias de imprensa, publicidade, boca a boca, e avaliações de profissionais”.
Alarmante? Então preste atenção nesse depoimento, também da mesma reportagem. Segundo Bing Liu, um pesquisador de informação da Universidade de Illinois, em Chicago, “as engrenagens do comércio online funcionam com críticas positivas”. Uma pesquisa sua mostrou que, em 2008, 60% dos produtos avaliados na Amazon ganharam 5 estrelas – e mais 20% tinham pelo menos 4 estrelas. Ou seja: estamos vivendo num mundo maravilhoso, onde tudo que a gente compra é muito legal – mais legal do que quando a gente vai pra Baleia (desculpe, não resisti!).
A realidade, porém, não é bem assim. A maior parte do que está disponível na Amazon – na verdade, a maior parte dos produtos culturais (e vou ficar só neles, pois são “minha praia”) que nos são empurrados todos os dias – é medíocre. Livros mal escritos, desinteressantes e aborrecidos. Discos sem nenhum brilho, com músicas sem nenhuma originalidade, frequentemente com ideias nada originais. Peças de teatro amadoras, filmes ordinários, shows tipo “caça-níquel”, programas de TV baratos e inconsequentes. Um trabalho de qualidade – esse sim é a exceção! Mas quem é que, hoje em dia, em tempos de internet, quer ler, ver ou ouvir alguma coisa ruim sobre um artista que os fãs gostam tanto?
Para contornar “o velho” sistema – aquele onde as coisas eram avaliadas por pessoas que tinham um certo estofo para a tarefa – basta você lançar um twitter quando seu artista favorito solta uma nova música ou está em um novo filme (ou uma novela) e pronto! Uma grande massa se mobiliza para elogiar alguma coisa, não exatamente porque ela é boa, mas porque essa massa gosta dela. Critérios? Quem precisa deles?
Voltando à história de Todd Rutherford, há dois anos ele criou o “GettingBookReviews.com” (que, se fosse em português, chamaria-se “ConseguindoCríticasdeLivros.com”). Os elogios que ele espalhava na internet para livros que nem chegava a ler por inteiro eram tabelados (a coisa era séria!): uma única resenha custava 99 dólares. Mas, como observa o repórter, alguns autores queriam um “coro de aprovação”. E assim surgiram “pacotes promocionais”: por 499 dólares, ele soltava 20 críticas positivas; e por 999 dólares, 50. Nenhum autor iria se sujeitar a pagar isso, certo? Errado! Em um bom mês, Todd faturava até 28 mil dólares! E todo mundo ficava feliz…
Os autores, que de uma hora para outra viam seus livros cobertos de elogios. Os sites de compras que viam seus produtos tendo uma saída inesperada – azeitada, claro, pelas “ótimas” críticas. Todd, sem dúvida, não reclamava do dinheiro no bolso. E o leitor – esse pobre ponto final de qualquer obra de arte – esse nem parava para pensar: lia o livro e achava ótimo, afinal, quem era ela para discordar do tal “coro de aprovação”? (Na verdade, ele era “o leitor”, a criatura soberana que deveria ter articulação suficiente para ponderar sobre o que gosta ou o que não gosta, mas em tempos de “aprovação total” – ainda que sem critério algum – ele acaba se sentindo um trouxa se não… concordar com todo mundo! Mas eu divago, claro).
O único problema é que essa “felicidade geral” era uma mentira. Como a fábrica de superlativos de Todd deixava claro, esse “aplauso absoluto” era uma fabricação. Servia a quem? Ao comércio, sem dúvida – e, por tabela, ao ego do autor. Mas certamente não acrescentava nada ao discurso cultural. E tampouco nos ajudava a eleger bons autores – nem a peneirar o que estava sendo escrito de bom. A “democratização das opiniões”, que é certamente um dos efeitos colaterais mais duvidosos da internet, de uma hora para outra empobreceu o exercício da crítica – e deixou todo mundo desorientado.

Pegue Bruce Springsteen, por exemplo – cujo último álbum, “Wrecking ball” fez com que ele ressurgisse na mídia recentemente. Ele tem uma longa carreira, com bem mais altos do que baixos. Mas qualquer crítico de respeito reconhece que nem todos os seus trabalhos são excelentes – e muitos não têm problemas em assinalar os discos mais fracos. Eu mesmo já me decepcionei com discos que bandas que venero (ou venerava quando existiam), como R.E.M., Oasis ou – para dar um tom mais “alternativo” – Manic Street Preachers. A gente tem que ter a coragem de admitir que nossos ídolos (parafraseando Elis) nem sempre são os mesmos…
Nenhum artista oferece um produto cultural na expectativa de que ele será atacado pela crítica – ninguém é tão masoquista assim… Mas ter seu trabalho avaliado é o ponto final de uma coisa chamada “processo criativo” – e não é um punhado de resenhas ruins que vai desanimar esse autor ou essa autora de continuar a produzir coisas boas. Na melhor das hipóteses, a opinião desse crítico – isto é, de alguém que tem notoriamente conhecimento sobre o assunto – pode até orientar o artista nos seus próximos caminhos.
Escrevo isso, sei bem, do alto de uma montanha de vulnerabilidade que acabei de escalar. Como já mencionei antes em algum canto deste blog, acabei de “estrear” na ficção: fui convidado a participar de uma coletânea de contos baseados em músicas dos Beatles – e o resultado (“O livro branco”, editora Record) acaba de sair. É uma amostra pequena e modesta, mas, não obstante, estou dando a cara para bater – ao mesmo tempo aceitando o compromisso de acatar uma boa crítica (o que não significa necessariamente uma crítica positiva – pode ser negativa também, desde que não seja rasa na linha “você é um imbecil que trabalha em TV e acha que sabe escrever”, algo bastante frequente, como você pode conferir em comentários aqui publicados). Esse diálogo virtual entre leitor e autor (seja de livro, música, filme, ou qualquer outra forma de expressão) deve ser saudável e honesto. Mas estamos perdendo este hábito…
Vou dar um outro exemplo recente. A “Granta”, uma das mais respeitadas revistas literárias do mundo, lançou, há alguns meses, um volume com os melhores escritores brasileiros com menos de 40 anos. Imediatamente depois que os nomes foram anunciados, começou a discussão sobre a “validade” dessa seleção – um bafafá inócuo muito bem descrito por André Barcinski numpost de algumas semanas atrás. Vi algumas dessas “trocas de elogios” na própria internet – e até me diverti um pouco com elas. Mas não li sequer uma crítica que me orientasse de maneira sensata: qual desses “jovens autores” vale realmente a pena? Não achei nenhum texto cuja opinião eu pudesse confrontar com a minha – não para ver se eu “acertei ou errei” no meu gosto, mas para me dar um parâmetro para contrabalancear as minhas avaliações.
Eu mesmo queria escrever sobre a coletânea – assinalar o que eu tinha realmente gostado (Daniel Galera, claro; Chico Mattoso com o provocante “Mãe”; Tatiana Salem Levy; Carola Saavedra; Ricardo Lísias; e Julián Fuks – para mim, o melhor de todos, baseado, claro, nesse conjunto). Queria também explicar o que me decepcionou (Cristhiano Aguiar; Luisa Geisler; Antônio Xerxenesky). E tentar entender o que a “Granta” viu de especial nos outros autores que certamente tem qualidade, mas não o que eu chamaria de “centelha”. Mas alguém está interessado em ler/ouvir isso? (Mais fácil twittar o que eu “gostei e não gostei”, não é mesmo?). Melhor a gente sair elogiando tudo e, como já coloquei aqui, deixar todo mundo feliz…
Ah! Sabe o que aconteceu com o site de Todd Rutherford? Uma autora/cliente não achou que as críticas que ele escreveu (de encomenda, só lembrando) sobre seu livro eram suficientemente elogiosas e postou comentários ultra negativos sobre o GettingBookReviews.com – ele foi perdendo clientes e seu negócio fechou.
E eu que achava que não existia justiça neste mundo…
O refrão nosso de cada dia
“Cotton flower”, Moriarty – nos dias em que eu estava bem mal da pneumonia, quando a única coisa que conseguia me divertir era a música (achei que ia ler muito nessa minha recuperação, mas não deu certo…), essa banda foi uma das que mais me fez companhia, descrevendo musicalmente o que eu estava sentindo. E dentre tantas canções lindas, essa é a minha favorita – com um refrão que já começa abrindo a música. Você não precisa estar doente para gostar…


Fonte:Blog do Zeca Camargo

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL COMO ESTRATÉGIA COMPETITIVA


A história da comunicação organizacional no Brasil teve seu início na década de 70, de maneira fragmentada. Existiam organizações multinacionais que publicavam jornais internos para empregados, chamados , por influência estrangeira, de house-organs. Nesta época a profissão de jornalista ainda caminhava a passos curtos já que o primeiro curso de jornalismo fora criado em 1947 pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero em São Paulo. Aos poucos, aumentava o número de empresas que faziam divulgações para públicos internos e externos – jornais e revistas – ainda muito incipientes e sem qualidade editorial. Um grupo de empresários e comunicadores avaliou a oportunidade de novo mercado e criou uma associação, com o objetivo de coordenar as publicações empresariais e de treinar editores, uma vez que os produtos não apresentavam a qualidade editorial e gráfica.
Em 1967, surgiu a Associação Brasileira dos Editores de Revistas e Jornais de Empresas, que transformou, mais tarde, em Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. Vinte anos depois, essa entidade passou a editar uma série de livretos que tiveram por título “Panorama da Comunicação Empresarial”. Ainda não se empregava o conceito de “comunicação organizacional” e que os setores encarregados da comunicação nas empresas eram denominados de Comunicação Social.
As décadas de 80 e 90 foram marcadas pelo grande desenvolvimento da comunicação empresarial no Brasil, movimentada pela realização de cursos, seminários, congressos e publicações de revistas, teses e livros, o que torna viável a partir da reabertura política (1988).

Diante da globalização surgiu a necessidade premente de comunicação nas organizações com o mercado, tanto nacional quanto internacional. De um lado, a necessidade de informação sistematizada da transmissão de dados para possibilitar as operações empresariais e, de outro, a necessidade de entendimento cada vez maior entre as pessoas envolvidas com a empresa, incluindo nesses também seus empregados, para que seus negócios prosperem e possam continuar a competir, mantendo seus padrões de produtividade e lucratividade. A concorrência, local, regional e nacional, tornou-se internacional, podendo afetar a empresa a qualquer hora, pois o mundo dos negócios ficou sem fronteiras.
Embora muitos pareçam imaginar que o espírito de renovação e de globalização só pairou nos níveis hierárquicos superiores das organizações, o fato é que atingiu também os empregados. Isso significa que o bom processo de comunicação exigirá posicionamento que leve em consideração a nova realidade empresarial. Tornou-se mais difícil para qualquer organização conviver harmoniosamente com seus funcionários: (a) porque foram mais treinados para assumir novas responsabilidades; (b) conhecem melhor a empresa, seus produtos e negócios; (c) estão em contato maior com outros trabalhadores de outras empresas; (d) sendo mais responsáveis na execução de suas tarefas, cobram mais atenção e benefícios da empresa; (e) têm contatos frequentes com outros sistemas de produção de empresas prestadoras de serviço e com fornecedores. Tal situação é nova dentro das organizações.

 
O trabalhador, pelo treinamento recebido para a implantação dos processos de qualidade, do planejamento estratégico, das normas de certificação e de outras reformas administrativas, somando-se a isso os novos modelos a serem seguidos na execução de suas tarefas, passou a pensar de forma mais ampla, com visão de contexto, de futuro, portanto, global. Esse fator deverá ser levado em consideração pelas organizações na reformulação de seus princípios operacionais e no estabelecimento de seu novo processo de comunicação. A mudança de comportamento dos empregados com o advento da informatização, da introdução de novas tecnologias despertou-se em todos uma curiosidade aguçada. Não se limitam tão somente conhecer generalidades sobre a empresa, leem revistas, jornais, veem programas de televisão, acessam a internet, etc. Tudo isso os leva a querer que a organização para qual trabalham possua a mesma excelência que observam nas empresas concorrentes.

 
 A consciência global já faz os empregados questionarem a própria organização, sua administração, seus recursos. Essa consciência exige um processo totalmente novo de comunicação com os empregados, inteligente, ligado nas atividades da empresa e no conhecimento de sua atuação dentro e fora do país. O desenvolvimento das organizações e as reestruturações que foram obrigadas a fazer para atualizar suas estruturas obrigaram-nas a criar um processo estratégico de comunicação para melhorar os relacionamentos com seus colaboradores. A comunicação, até então relegada a segundo plano, assumiu posição significativa nas relações da organização com todos os seus públicos. Passou a ser considerada instrumento importante de informação e de motivação dos empregados na execução de seus trabalhos. Wilson Bueno  descreve essa situação nos seguintes termos: “A comunicação empresarial evoluiu se seu estágio embrionário, em que se definia como mero acessório, para assumir, agora, uma função relevante na política negocial das empresas. Deixa, portanto, de ser atividade que se descarta ou se relega a segundo plano, em momentos de crise e de carência de recursos, para se firmar como insumo estratégico, de uma empresa ou uma entidade lança mão para “fidelizar” clientes, sensibilizar multiplicadores de opinião ou interagir com a comunidade.”
Essa crescente importância da comunicação tornou-se ainda mais significativa considerando a influência da globalização nos comportamentos organizacionais, que levaram a comunicação a ser considerada parte integrante do planejamento estratégico, das relações da empresa com o mercado e com as pessoas. O próprio Bueno ressalta esse aspecto: “A Comunicação como inteligência empresarial não pode fazer concessão ao improviso. Apóia-se em metodologias, em pesquisas, em desenvolvimento de teorias e conceitos a serem aplicados a novas situações; apóia-se, sobretudo, na necessidade imperiosa de dotar a comunicação de um novo perfil: a passagem real do tácito para o estratégico.”

Para a criação de um programa estratégico de comunicação que atinja todos os membros de uma organização, dois fatores devem estar presentes: a clareza e a transparência. Essas características contribuem para definir as mensagens de forma programada, de modo a aumentar o nível de consciência dos públicos e o acerto de todo o processo.
As mudanças de cenário levaram as empresas a valorizar a comunicação como ferramenta estratégica de gestão, a praticá-la de maneira profissional e a investir no desenvolvimento de processos capazes de atender às expectativas de seus públicos.
Enfim, diante do impacto das mudanças nas relações/ colaboradores, a comunicação precisa ser repensada, definindo-se com clareza e objetividade seu papel dentro dos demais processos transformadores das organizações. É preciso estabelecer com clareza qual deve ser o papel estratégico da comunicação dentro da nova realidade empresarial. Repensar a comunicação significa conhecer as ideias que influenciaram a comunidade interna, como ela reage diante das mudanças e como interpreta os novos posicionamentos organizacionais e principalmente sua declaração de missão, visão e valores.

Repensar a comunicação significa ainda rever a linha editorial que conduz a comunicação da empresa. A comunicação com os empregados precisa ser levado em consideração, que se eles mudaram o paradigma comunicacional não pode se manter como no passado, precisa ser renovados para atender à nova situação da convivência interna da empresa. Não se pode mais manter um sistema de informação que se limita a repetir, fatos já passados e que não possa discutir os conflitos da organização. A inventividade deve ser introduzida na comunicação com os colaboradores, pois esperam diariamente notícias “quentes” sobre as operações empresariais, volume de vendas, novos negócios e resultados financeiros obtidos. Os comunicadores, para serem bem-sucedidos, devem conhecer com maior profundidade o público interno para qual dirigem suas mensagens.


REFERÊNCIAS

ABNT. NBR 6022: informação e documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003. 5 p.

FRANÇA, Fábio; LEITE, Gutemberg. A Comunicação como Estratégia de Recursos Humanos. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007.
PESSOA, Sônia. Comunicação Empresarial, uma ferramenta estratégica. www.bocc.ubi.pt
Márcia Canêdo

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Comunicação integrada x mídia

O desafio de hoje é buscar as melhores soluções com foco em comunicação multiplataforma e não apenas em função de uma única mídia. Você tem feito isso?

Nos últimos anos, percebemos uma grande evolução na comunicação de marcas, no sentido de integrar e ampliar o leque de canais e de mensagens enviadas ao consumidor. Hoje, para se chegar ao consumidor final, não basta apenas estar presente em campanhas de TV e mídia impressa, como há algum tempo. A comunicação precisa ser integrada e contemplar os mais variados canais, como os meios eletrônicos, pontos de venda, digital signares, entre outros.


A rotina do consumidor mudou, o que impacta diretamente, na evolução das agências de propaganda e marketing. O mercado de propaganda tenta se adaptar à nova realidade do consumidor e ao seu status "multiocasião". No entanto, apesar dos esforços para adequar as agências à nova demanda do mercado, muitas continuam viciadas em uma grande mídia.

O problema é que esta resistência pode comprometer a eficácia das ações de comunicação propostas. Afinal, nem sempre a melhor ação para uma marca ou para o aumento do volume de vendas se concentra apenas em uma grande mídia. O glamour do segmento, por tantos anos tão valorizado, começa a perder força. Em seu lugar, entram a necessidade de gerar retorno para o investimento da ação, tanto em construção de marcas quanto em resultados em vendas.

O desafio de hoje é realizar uma comunicação totalmente integrada: buscar as melhores soluções para o cliente com foco em comunicação multiplataforma e não apenas em função de uma única mídia. Neste sentido, as agências que trabalham com branding e ponto de venda podem ter alguma vantagem para se adequar ao novo momento da propaganda.

Ao gerar um plano de comunicação que já contempla um trabalho diversificado, em vários canais e alcançando o consumidor em pontos diferentes, a oportunidade e o potencial de retorno para o que foi investido aumentam. Essa nova dinâmica implicará em um trabalho mais integrado e talvez em menor receita, mas fortalecerá o relacionamento de longo prazo entre anunciantes e agências.À medida em que a comunicação atingir o consumidor em todas as situações às quais ele está exposto, o envolvimento, o relacionamento e, consequentemente, a fidelização serão maiores.

O novo momento do marketing deverá transformar a estratégia de custos das agências, além da estrutura interna e de todo o mercado. Ainda estamos aprendendo como atender à nova demanda com criatividade e sem onerar o cliente. Porém, uma coisa é certa: a longo prazo, todos ganharão com uma comunicação muito mais eficiente.

Leonardo Lanzetta (Sócio e Diretor executivo da DIA Comunicação e Diretor de Imagem Corporativa do POPAI Brasil)

Fonte : Portal HSM-20/01/2010


Um exemplo desse assunto pode ser lido no livro “Onipresente”, de Ricardo Cavallini, onde é debatido sobre a mudança do consumidor. Porém, o autor afirma que não é apenas o consumidor que está mudando, mas as agências também. Agora as mídias ficam em segundo plano, fazendo com que o público alvo se torne o primeiro e principal aspecto. Com a globalização podemos encontrar muitas mídias para se divulgar, mas não são todas as pessoas que utilizam-se de todas, por isso existe a Comunicação Integrada: ela estuda os consumidores, analisa as melhores mídias para atrair o  seu público alvo, fazendo também uma pesquisa de audiência.Muitas vezes uma marca quer anunciar seu produto em diversas frentes, então a mensagem transmitida acaba sendo a mesma, porém em formatos diferentes, conteúdos adaptados a cada meio, fazendo com que a união de todas as mídias se tornem uma só.

Márcia Canêdo

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ser e/ou Estar

O que importa mais nos dias de hoje: SER ou ESTAR ? Zappeando na internet me deparei com um artigo de  Fernando Adas que fala sobre a necessidade de criar e maturar o relacionamento com os consumidores ou prospects. Achei interessante as colocações dele e resolvi trazer pra debate.

Confira abaixo o artigo na íntegra 

Para os americanos, “ser” e “estar” podem ser expressos com a mesma palavra. Nunca entendi bem esse reducionismo, pois para mim esses dois verbos estão em sentidos opostos no espectro da nossa personalidade. Pense comigo: Arlette Pinheiro Esteves da Silva Torres e Fernanda Montenegro são a mesma pessoa. A primeira nasceu em 16 de outubro de 1929, é carioca, casada, paga impostos e faz supermercado. A segunda nasceu em 1950, quando iniciou sua carreira com o espetáculo “Alegres canções nas montanhas”.


Ter dois nomes faz parte do jargão profissional de algumas áreas como o teatro, a aviação ou o segmento imobiliário. Algumas culturas ou religiões também adotam o “double name”, a divisão entre um nome de “casa” e um de “rua ou no trabalho”. Em tempos de quebra de sigilo fiscal e vazamento de dados pessoais de imposto de renda, a reflexão sobre nomes ganha pauta nas discussões. As empresas são ávidas por nomes, novos de preferência. Buscam listas, querem cadastros, compram mailings em milheiros repletos de endereços e telefones. Ligam, enviam correspondências, fazem convites na tentativa de conquistar ou resgatar clientes.

As empresas compram Fernandas na tentativa de conquistarem Arlettes. Fernandas são conhecidas pelo nome; Arlettes pelas atitudes e valores. Fernandas são convidadas a eventos; Arlettes decidem se querem ou podem ir. Conquistar ambas é tarefa difícil e requer habilidade estratégica, mentalidade mercadológica e paciência. Habilidade estratégica para iniciar o contato com a Fernanda e aprofundar o relacionamento com a Arlette. Mentalidade mercadológica para entender a renda de Fernanda, mas observar a recência, a frequência e o valor das compras de Arlette. Paciência para conhecer, entender e avaliar as reações de ambas às ofertas recebidas. Significa dizer que entre um nome que você comprou para o envio de sua mala direta ou e-mail até o cliente que você conquistou e vai procurar fidelizar, há um projeto de relacionamento a ser criado e maturado.

A Fernanda é mais fácil de ser localizada, pois seus dados pessoais referem-se ao Nome, ao Endereço e ao Telefone. Às vezes, ao e-mail. Já a Arlette é mais contida, discreta, reclusa no ambiente familiar ou entre amigos. Seu estilo de vida é menos conhecido e, por isso, as referências pessoais não são obtidas de imediato, em uma planilha de Excel. Quem gera mais renda: Fernanda ou Arlette? Certamente a primeira. E quem decide o destino desta renda? Certamente a segunda. Por isso, o conhecimento sobre os hábitos de compra torna-se cada vez mais fundamental. Temos observado atentamente os resultados das pesquisas eleitorais que oscilam de maneira quantitativa, buscando informações de caráter qualitativo. A todo momento, percebem-se alterações nas respostas dadas pelas Fernandas, mas ponderadas pelas Arlettes.

Pesquisar é uma arte e uma técnica. Requer olhar e cérebro. Visão e pensamento. O consumidor é bipolar. Sofre de uma esquizofrenia “atitudinal” que o motiva a pensar em A, declarar B e praticar um gesto C. Por isso, as ações de relacionamento são mais eficazes que as abordagens pontuais, no esforço de conhecimento sobre o consumidor. Da próxima vez que você comprar um mailing, analise se está levando Fernandas ou Arlettes. Conheça a primeira, mas conquiste a segunda.

Fonte: Fernando Adas (Diretor de atendimento e planejamento da Fine Marketing e especialista em Comunicação Dirigida e Varejo)
Texto fonte retirado do site :  HSM Online-19/11/2010

Márcia Canêdo    

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Desafio do marketing digital é evoluir junto com público-alvo

Para Martha Gabriel, consultora e professora de MBA de marketing no ambiente digital,os profissionais da área precisam encontrar o cliente e ser relevante para ele.Até que se fizesse a roda, não parecia tão essencial a sua existência. O mesmo ocorre hoje no mundo do marketing. Antes do surgimento do ambiente online, não se fazia necessário usá-lo como ferramenta de marketing. Até mesmo porque o público não estava navegando na internet.Agora, o ambiente digital oferece mais opções de plataformas de ação, pontos de presença e relacionamento com o consumidor. No entanto, as melhores opções a serem utilizadas, incluindo as plataformas tradicionais de marketing, são determinadas em função de cada objetivo e público-alvo. “O que muda o marketing é a mudança do comportamento do público-alvo e não as tecnologias em si”, pontua Martha Gabriel, consultora e autora do livro "Marketing na Era Digital".

De acordo com a acadêmica, as plataformas digitais proporcionaram voz às pessoas em proporções cada vez maiores e em formato de rede. Por isso, o desafio do marketing digital é ser relevante para as pessoas. “Se antes o público era alvo, hoje além de alvo é também mídia e gerador de mídia. Essa transformação social que as tecnologias digitais online têm alavancado deve nortear as ações de marketing cada vez mais”, pontua a acadêmica.Assim, torna-se importante saber validar os vários tipos de mensagens e informações que circulam no ambiente online. “A principal disciplina a ser aprendida hoje é educação digital - educação 2.0 - que ensina a ouvir e agir no ambiente digital. A habilidade de saber validar a informação, o ‘ouvir 2.0’, ainda precisa ser educado”, complementa Martha.

Por isso, determinar o que é relevante para o target é essencial para a captura de atenção. Diante de um cenário em que as pessoas são bombardeadas por informações em tempo real, em um volume e frequência enormes, a relevância virou palavra de ordem em todas as ações de marketing, seja na busca, mobile, redes sociais etc. “Hoje o que importa não é mais conquistar audiência, mas a atenção”, afirma Martha.Contudo, a consultora avalia que o que é emergente do marketing digital é justamente o que sobra de essencial: as relações humanas, que são catalizadas pelo digital. “As conexões são digitais, mas as relações são humanas”, ressalta.


Além disso, Martha criou o conceito de “one line”, que seria o melhor mix indicado para cada caso específico, para atender necessidades e desejos do consumidor. “Como estamos nos tornando seres híbridos, que vivem on e off simultaneamente, o importante não é se a mídia ou as ações de marketing são feitas na plataforma digital ou não. O que é realmente importante é usar a plataforma mais adequada para alcançar e atender o seu público”, conta.Para a consultora, da mesma forma que qualquer tecnologia que surgiu no passado remodelou as tecnologias anteriores, como aconteceu com a pintura, fotografia, cinema, televisão, vídeo, etc, o mesmo acontece agora com a emergência das várias plataformas digitais.“No caso do digital, como ele favorece a convergência e o cross-mídia, as transformações são maiores e mais impactantes. Entretanto, essas transformações são auto-reguladoras. Apenas as soluções mais adequadas sobrevivem no mercado”, posiciona.



Perfil do profissional de Marketing Digital

Com o avanço cada vez maior do uso de ferramentas de marketing digital, o perfil do profissional também acaba sendo impactado. Para a professora, há a “necessidade de se conhecer as diversas tecnologias para poder traçar estratégias adequadas”. Hoje, surgem tecnologias novas todos os dias. Conhecer todas as tecnologias com maestria para poder traçar estratégias adequadas junto ao público-alvo é uma tarefa quase impossível para um profissional isolado.“Acredito que uma forte tendência seja cada vez mais termos equipes multidisciplinares e também campanhas traçadas por mais de uma agência em conjunto, envolvendo habilidades diversas de todos. Estamos realmente caminhando para a era de colaboração. Sem ela, corre-se o risco cada vez maior de se perecer no cenário emergente”, defende Martha.


Confira algumas dicas básicas de SEO para redigir um texto:


Títulos: O ideal é que a palavra-chave escolhida, apareça no começo e que esse título não seja muito longo.
Plágio: O Google está muito evoluído quanto à questão de cópia de conteúdo, se você pegar conteúdo de outro site, o Google eventualmente vai perceber e ignorar sua página. Se alguém copia um conteúdo seu, vai acontecer o mesmo. Óbvio que nada é perfeito e as vezes o Google pode demorar um pouco a perceber, então aproveite para fazer um serviço bem feito e criar um texto único para se garantir.
Links on page: Crie pelo menos 1 link interno na primeira vez que a palavra-chave aparecer, isso é o mínimo a se fazer. A melhor “estratégia” sempre depende muito de que você está falando, tamanho do texto, quantidade de palavras que deseja otimizar, etc. Crie 1 ou 2 links nas palavras-chave para uma página interna e garanta o mínimo para seu conteúdo.
Em SEO não existe fórmula milagrosa, é trabalho constante e sempre se atualizando sobre as alterações dos critérios de relevância dos motores de busca, do comportamento dos concorrentes e vários outros fatores. Como redator, tente adaptar algumas tecnicas ao texto e como profissional de SEO, faça o possível para manter o texto com sentido para o público, pois se ninguem ler, não adianta nada sua otimização.


Fonte: HSM Online- 18/11/2010 

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Estamos com fome de amor


O que temos visto por ai ??? Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.
Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plasticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer mas... chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.
E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém tem dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .

Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalisticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, familias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...

Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem a ver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?
Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...

O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.



Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!

Arnaldo Jabor

By JORNALISMO ANTENADO with 2 comments

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