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sábado, 30 de março de 2013

Não à impunidade. Que a verdade e a justiça prevaleçam!

Governo concede anistia política a Alexandre Vannuchi e entrega novo atestado de óbito à família de Vladmir Herzog

Escrito por: William Pedreira


Sob grande comoção e simbologia, o governo federal, na figura da Comissão de Anistia, promoveu nesta sexta-feira (15) na Faculdade de Geociências da USP (Universidade de São Paulo) o ato oficial de anistia a Alexandre Vannuchi Leme, assassinado pela ditadura militar em 1973, reconhecendo sua responsabilidade pela morte e pedindo desculpas à família.
A celebração fez parte da 68ª Caravana pela Anistia e integrou a semana de atividades em homenagem aos 40 anos da morte de Alexandre.
Visivelmente emocionada, a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse sentir-se envergonhada com as atrocidades cometidas pelo Estado durante o período da ditadura, “mas que numa sociedade democrática o Estado tem o dever de reconhecer que foi o responsável pelas mortes, torturas e assassinatos cruéis, ceifando vidas e acabando com famílias. Para ela, “se estamos vivendo o período mais longo da democracia, isso se deve a figuras como Alexandre Vannuchi, Vladimir Herzog e tantos outros que ousaram lutar e deram suas vidas por um ideal.”
Paulo Abrão, presidente da Comissão da Anistia e secretário nacional de Justiça, fez uma menção especial ao ex-ministro da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi e ao ex-presidente Lula, ao qual sem eles não seria possível iniciar essa política de reparação e resgate da memória. “É um gesto digno do Estado cumprindo a agenda de transição democrática de resgate da verdade e justiça, reconhecendo seus erros e pedindo desculpas às famílias das vítimas do regime militar. Isso é fundamental para não repetirmos no futuro as violações cometidas no passado”, enfatizou.
Aos 22 anos, estudante de Geologia da USP, Alexandre militava no movimento estudantil e na ALN (Ação Libertadora Nacional). Aprovado em primeiro lugar no vestibular, participava ativamente do cotidiano da universidade, sempre comprometido com a luta pela democracia no Brasil. Porém no dia 16 de março de 1973, mais um capítulo obscuro na história do Brasil foi escrito.
O estudante acabou sendo preso e levado para o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), órgão subordinado ao Exército e criado para combater os opositores do regime militar, onde foi torturado até a morte, fato que ocorreu no dia seguinte.
Seus pais receberam no dia 20 um telefonema informando sobre a sua prisão no Dops. A família foi ao Departamento, percorreu todos os órgãos policiais, mas não conseguiu sequer uma confirmação sobre seu paradeiro. Após dias de angústia, seu pai, que viria para São Paulo no dia 28, foi surpreendido com a notícia em um jornal de Sorocaba informando sobre a morte de Alexandre Vannuchi por atropelamento após tentativa de fuga.
Essa foi a versão forjada pelos agentes do DOI-CODI e amplamente aceita e difundida pelos veículos de informação. Seu corpo foi jogado numa vala comum no Cemitério de Perus e coberto com cal para apagar rapidamente os vestígios da tortura. Os órgãos de repressão chegaram a apresentar três versões diferentes para a sua morte.
À época, outros estudantes da USP também tinham sido presos. Houve uma grande mobilização nos centros acadêmicos como forma de repúdio aos desaparecimentos e para buscar a verdadeira causa da morte de Alexandre. Assim, os estudantes resolveram se organizar, paralisaram aulas e fizeram greves. Mas o grande momento foi a realização de uma missa celebrada pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, no dia 30 de março, reunindo mais de três mil pessoas na Praça da Sé.
Naquele dia, a cidade foi tomada por um forte aparato policial, com bloqueios na ponte da Cidade Universitária para evitar que os estudantes viessem até a Sé e outras dezenas de barreiras espalhadas pela cidade. Julio Turra, diretor executivo da CUT e que na época acabará de ingressar na faculdade de ciências sociais da USP, esteve presente na missa e lembrou das dificuldades em promover o ato depois do silêncio imposto pelo AI-5, em 1968.
“Particularmente para mim, esse ato de anistia por parte do governo tem um grande significado, pois estava ingressando na USP quando ocorreu a morte de Alexandre. Como o atestado da Polícia indicava suicídio, a Igreja Católica impedia mobilizações pós-morte em casos como este. Mas foi construído um ato público em forma de missa, primeira manifestação fora da USP. Foi um ato de ousadia, uma manifestação silenciosa reunindo milhares em São Paulo, mas de grande repercussão e que causou uma trinca na repressão”, recordou.
Durante a solenidade de anistia, Maria Cristina Vannucchi Leme, irmã de Alexandre, aproveitou para fazer uma homenagem especial aos seus pais (que não puderam estar presentes por conta da idade avançada) que trilharam um caminho de luta árdua e incessante na busca pela verdade e justiça. “Para minha mãe o golpe de 64 foi um vendaval que deixou nossa família em frangalhos. Nunca na vida ela imaginou que um dia tivesse de proteger seus filhos contra os perigos causados pelo Estado”, lamentou, informando que a família também buscará a retificação do atestado de óbito de seu irmão, a fim de que constem o local exato e as verdadeiras causas de sua morte: assassinado pelas atrocidades cometidas por agentes da ditadura nas dependências do DOI-CODI e enterrado como indigente numa vala comum em Perus.
As homenagens a Alexandre Vannuchi se estenderam por toda essa semana. Primeiro, ocorreu um show com o cantor Sérgio Ricardo na quinta (14) no Centro Cultural São Paulo. Ricardo apresentou em São Paulo logo após a morte do estudante o seu espetáculo Conversação de Paz, que reunia canções emblemáticas da resistência à ditadura no Brasil.
Já nesta sexta (15), além da cerimônia de anistia política, uma missa na praça da Sé foi celebrada pelo bispo emérito Angélico Sândalo Bernardino que em 1973 era bispo auxiliar da arquidiocese e estava com Dom Paulo Evaristo Arns na missa.
Verdade estabelecida - também nesta sexta-feira, a esposa, o filho e o neto de Vladimir Herzog receberam pelas mãos de Rosa Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade, o novo atestado de óbito do jornalista.
A retificação foi acatada pela Justiça após pedido feito pela Comissão Nacional da Verdade. O novo documento rechaça a versão dos torturadores de ‘suicídio’. Constava no laudo da época assinado pelo legista Harry Shibata que Vlado, como era conhecido o jornalista, havia morrido "por asfixia mecânica".
A versão oficial agora consta que Vladimir Herzog foi assassinado em decorrência de lesões e maus tratos sofridos nas dependências do 2º Exército de SP, acabando de vez com a farsa montada pela ditadura.
A ministra Maria do Rosário afirmou estar aliviada pela correção de uma injustiça histórica. Para ela, a transição democrática não pode parar um só dia. “Convivemos com a falsidade de causas e óbitos relacionados àquele período, o que revela que tantos outros atestados foram montados pela voz e caneta. Ainda existem documentos históricos oficiais com essas inverdades, mas hoje colocamos um ponto final no caso Vladmir Herzog ao realizar este ato de reparação ao seu atestado de óbito”, celebrou.
Para o deputado estadual e presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, Adriano Diogo, “não podemos perder a nossa capacidade de nos indignar. Esse reconhecimento do Estado é importante, mas a partir do momento que temos nomes e sobrenomes dos agentes torturadores é preciso que haja o julgamento e condenação política. O crime de tortura não prescreve conforme a nossa Constituição.”
Posição compartilhada pelo secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, segundo o qual o relatório da Comissão da Verdade e outros movimentos de resgate da memória e verdade devem ser complementados com uma segunda ação que seria o julgamento jurídico daqueles que cometeram crimes de lesa-humanidade. “Esses agentes estão sendo moralmente julgados, mas em nosso país temos uma Lei de Anistia criada pelos ditadores que proíbe qualquer punição. Como o STF já se posicionou a favor da Lei, nossa esperança é que haja uma revogação total da Lei de Anistia e a constituição de uma Lei de Memória e Verdade ou que o Congresso aprove um projeto de mudança da Lei de Anistia que possibilite o julgamento político de agentes do Estado”, informou.
FONTE:http://www.cut.org.br/destaques/23027/nao-a-impunidade-que-a-verdade-e-a-justica-prevalecam


Márcia Canêdo

By JORNALISMO ANTENADO with 1 comment

segunda-feira, 18 de março de 2013

Pesquisador aponta aumento de depressão, assédio e cocaína entre jornalistas


Crédito:Divulgação/FGV
José Roberto Heloani

Desde 2003, José Roberto Heloani investiga a interface entre saúde e a profissão jornalística. Naquele ano, o doutor em psicologia e professor titular da Universidade de Campinas (Unicamp) entrevistou cerca de 20 jornalistas do eixo Rio-São Paulo, com foco em qualidade de vida.
Após estudo intermediário de 2005 - com espaço amostral ampliado para mais de 70 profissionais - concluiu em 2012 o mais recente deles, com mais de 250 jornalistas, aprofundando temas como saúde mental, identidade e subjetividade, e incidência de assédio moral e sexual.

Suas conclusões são duras. De dez anos para cá, aumentam entre os profissionais da área as incidências de depressão, infidelidade conjugal e uso de drogas, principalmente, cocaína e anfetamina, além do fenômeno que ele chama de "naturalização do assédio". 

"Hoje, no país, há cerca de seis grandes grupos de comunicação. Ou seja, o jornalista precisa ter muita coragem para fazer uma denúncia formal de assédio se quiser permanecer no mercado. Além disso, trocar de profissão, quando desejado, não é fácil.” 

Outro problema apontado por Heloani é a distância entre a experiência real e a representatividade social da profissão. "Enquanto a imagem do jornalista é idealizada e positiva na sociedade, sua vivência diária é precarizada. Isso os torna mais inseguros e frustrados". 

Confira a íntegra da entrevista à IMPRENSA:

IMPRENSA – Quais foram as novidades da última pesquisa?
ROBERTO HELOANI – Os casos de assédio moral e sexual tornaram-se mais rotineiros, embora já existissem. Mas, o problema vai além. Se, em outras categorias profissionais, o grau de denúncias de assédio tem aumentado – como a dos bancários, por exemplo, que acompanho há muitos anos –, no jornalismo, o assédio aumentou, mas o número de pessoas que recorrem à Justiça diminuiu.

Isso pode ter a ver a competição acirrada do mercado jornalístico?
Não tenho nenhuma dúvida disso. No Brasil, há seis grandes grupos de comunicação. Você precisa ter muito coragem para fazer uma denúncia formal de assédio se quiser permanecer no mercado. A pessoa pode até pensar em mudar de área, ir para assessoria ou área acadêmica, mas nenhuma alternativa é fácil. 

O que suas pesquisas revelaram sobre o estresse? 
Hoje, o jornalista é um profissional multifocal. O que pode parecer muito interessante, mas, na prática, as coisas não são bem assim. É um profissional que se tornou muito mais estressado do que era. Primeiro, ele não pode dominar só uma mídia. Ele é um profissional que precisa ser repórter, fotógrafo, motorista, às vezes, cuidar da própria segurança. Então, hoje, há maior incidência de um estresse patológico. Na primeira pesquisa, não víamos muita gente em estado de pré-exaustão ou exaustão, que é o caso mais grave. Na mais recente, começamos a ver pessoas debilitadas, em pré-exaustão, inclusive recorrendo mais a drogas lícitas e ilícitas.

Aumento de que ordem? Quais drogas, especificamente?
Apesar de ser difícil estabalecer um percentual, diria que aumentou cerca de 25%. O álcool é a droga mais recorrente, além de café e energético em alta medida. O problema é que aumentou o uso de drogas estimulantes, como cocaína e anfetamina. É uma forma de o cara conseguir escrever quatro ou cinco matérias em veículos diferentes, dormir três ou quatro horas, e dar conta do recado. Muitas vezes, sem tempo de ir ao psicólogo ou ao médico, o cara ouve falar de alguém que conseguiu ter um pique legal com “uma cheirada numa carreira” e aí ele perde o pé. É cada vez maior o número de pessoas que trabalham intoxicadas.

Como as dificuldades da profissão têm impactado a esfera pessoal e familiar dos profissionais?
Se há uma coisa que não se altera nas três pesquisas que realizei é que as mulheres, principalmente, queixam-se muito de como a profissão reflete na relação familiar e na relação com o companheiro. Primeiro, elas se queixam que não é fácil namorar com alguém que não seja da área. Começa a pintar ciúmes ou a convivência se torna muito esporádica. Já vi muitos jornalistas que só se encontram no aeroporto. 

Então, pode-se dizer que a profissão jornalística dificulta uma relação estável e fiel?
Muito. Mas, a queixa dessas pessoas é que elas, justamente, não querem isso. Elas querem um relacionamento, um companheiro. Não é questão de moralismo, mas o patológico está no fato de que a pessoa não quer trair. Se a pessoa está satisfeita com isso, pode até ser saudável. Mas, quando você se queixa disso – porque não é o que você quer, mas o que você pode fazer –, aí você começa a afetar a esfera subjetiva e, a longo prazo, até a saúde mental.

Investigou também a identidade e subjetividade do jornalista. O que concluiu?
O jornalista continua tendo uma identidade idealizada. Se você perguntar à população o que ela pensa sobre o jornalista, vai se falar que é um sujeito que denuncia, que sabe das coisas, enfim, a representação social é positiva. Por outro lado, a identidade real deste jornalista, sua vida concreta, é precarizada. Então há um gap, uma distância muito grande entre a identidade pessoal a representatividade social. Isso torna o jornalista muito inseguro e frustrado. 

Quais as consequências disso?
Ele se sente decepcionando com toda a população que o idealiza. Na última pesquisa, ficou muito clara a questão da culpa. Com a dificuldade na carreira, a pessoa começa, em sua narrativa pessoal, a puxar fatos do passado que são pueris. "Ah, eu me lembro que um redator me chamou para trabalhar e eu não fui." E isso dura anos. Ou seja, é infantil. Aí ele pode cair numa armadilha de achar que cometeu um erro estratégico no passado. E, agora, com maiores sacrifícios, ele decola. É uma maneira de ele pagar uma conta que ele tem com ele mesmo. A gente chama isso de dívida psíquica. É aí que ele se arrebenta para valer. 

Há saída para atenuar todos esses aspectos de tensão?
Deixar a profissão não é tão simples, demanda um planejamento a longo prazo. A única maneira de diminuir isso é começar a dialogar mais sobre isso, e nisso os sindicatos da categoria têm um papel importante. É uma categoria que continua sendo muito desunida.

A fraqueza política dos sindicatos tem a ver com isso?
Acho que contribui. É uma situação complexa porque, na medida em que as pessoas acabam não acreditando no poder das associações, estas associações acabam se tornando fracas. Uma associação não é uma abstração. Como eu não colaboro, a associação continua sendo fraca e ineficaz. Como não há uma correlação positiva de forças com essas grandes corporações que estabelecem o modo de vida do jornalista, elas trabalham totalmente independente da legislação. A legislação é clara: são cinco horas, mais duas. Mas eu nunca vi um caso de um jeito trabalhando sete horas. Eu vi 10, 12, 14 horas. Essas organizações acabam atuando à revelia da legislação. Ou você começa discutir isso para valer, ou não muda nada. Até porque a nova geração de jornalistas têm, realmente, aceitado qualquer jogo.

Fonte: http://portalimprensa.uol.com.br -Guilherme Sardas

Márcia Canêdo

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sexta-feira, 15 de março de 2013

Dicotomias Comunicacionais

Recentemente, a presidente Dilma Rousseff elevou o tom contra as altas taxas de juros praticadas pelos bancos brasileiros. Além da crítica contundente, ela também tinha em mente proteger o País dos efeitos da crise mundial que voltam os olhos para o setor financeiro internacional. Naquele momento a Federação Brasileira dos Bancos emitiu relatório, assinado pelo seu economista chefe, Rubens Sardenberg, que colocou mais lenha na fogueira. No documento escreveu que “....você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água”. A licença poética levou a ruidosos entendimentos. Em meio à velha polêmica sobre os altos juros e a boa lucratividade do setor no país o governo interpretou a frase como provocação. Para ajudar a melhorar o clima, no dia 22 de maio, o Banco do Brasil anunciou redução de juros para financiamento de veículos. Era a terceira baixa em dois meses. O BB abriu a temporada de corte de juros, seguido pela Caixa Econômica Federal e, depois, pelos bancos privados.

Já no final de maio, computando a queda resultante da “guerra dos juros”, o Brasil perdeu para a Venezuela o posto de maior taxa de juros nominais do mundo (Exemplos: Brasil 9%, Chile 1,4%, EUA 0,25%, Japão 0,1%). E ainda se mantinha em segundo lugar, perdendo apenas para a Rússia, na taxa de juros reais. O rotativo, do cartão de crédito, chegava a 15.98% ao mês e o do cheque especial a 9,98%. No mesmo mês da queda dos juros, o Brasil tinha 14 milhões de famílias (quase um quarto do total) que já comprometiam um terço da renda mensal só com as dívidas. Os leiloeiros tinham seus pátios lotados de carros vendidos a prazo e depois confiscados por falta de pagamento.

Pesquisa da Fundação Procon-SP mostrou que os principais problemas reclamados pelos consumidores são: cobrança indevida e não cumprimento ou alteração unilateral de contrato. Os bancos e as empresas de telefonia celular lideram essas listas, com 42% do total das reclamações recebidas pelo órgão no primeiro trimestre desse ano. As reclamações bancárias somaram 5.970 nos três primeiros meses do ano passado e chegaram a 7.517 nesse trimestre de 2012. No Ranking dos fornecedores que menos atendem aos consumidores, no Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas 2010, entre as 30 empresas listadas, 12 eram instituições financeiras. O Cadastro Nacional é resultado do trabalho que diariamente os Procons de todo o Brasil realizam atendendo às reclamações. Ele é expressão da fala do consumidor sobre os principais problemas que enfrentam no mercado. A área Assuntos Financeiros é uma das quatro mais reclamadas do SINDEC (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor), entre as dez mais de todas as áreas. O volume de registros levou a estudo detalhado, em capítulo próprio no relatório analítico.

Levantamento do Ministério da Fazenda tendo como base informações do Banco Central e do IFS (International Financial Statistics) mostrava que o spread bancário brasileiro - além do lucro, é composto pela taxa de inadimplência, custos administrativos, depósitos compulsórios e tributos cobrados pelo governo federal, entre outros -, estava em 28,5 pontos percentuais nesse mês de junho. O spread é a diferença entre os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos às pessoas físicas e jurídicas e as taxas pagas por eles aos investidores que colocam seu dinheiro em aplicações do banco. Nesse mesmo período o spread bancário estava em 5.9 pontos no Uruguai, 3.7 no México, 3.6 na Rússia, 3.2 na Austrália, 3.1 na China, 3 no Canadá, 1.8 na Coreia do Sul e 1 ponto percentual no Japão.

A eficiência das instituições financeiras e as condições favoráveis levaram algumas a desfrutarem de invejados números, tanto nos seus consecutivos balanços como em outros indicadores. Com R$ 49,4 bilhões de lucro em 2011, os 25 bancos brasileiros de capital aberto tiveram um resultado 14,48% maior do que em 2010, de acordo com levantamento feito pela consultoria Economatica. No primeiro trimestre de 2012 o lucro dos 5 maiores bancos brasileiros chegou a R$ 11.685 bilhões.

Além de dívidas e juros, outra percepção para o consumidor é de que apesar de toda a fiscalização e informatização do setor e dos órgãos fiscalizadores de vez em quando aparecem problemas como rombos contábeis, intervenções e inquéritos como os do Banco Santos, Parnamericano ou Cruzeiro do Sul. Apesar de todo o desenvolvimento das TIs o cliente tem que decorar várias senhas e contra senhas, carregar tokens e instalar softwares, com suas contantes e lerdas atualizações. O cliente que se acostumou a evitar filas e utilizar caixa eletrônico nota que eles sumiram da paisagem em função da onda de ataques e da falta de blindagem eficiente. Apesar de todos os números, mais de um terço dos brasileiros ainda não possui conta em banco e 78% da população prefere usar dinheiro como meio de pagamento. Os dados são da pesquisa IBOPE, publicada em junho, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria.

Para quem não conhece as importantes ações sociais e culturais de algumas dessas instituições, a percepção pode se resumir a esse tipo de informação veiculada pela imprensa, às filas nos dias de pagamento, às situações às vezes constrangedoras das portas automáticas, da exigência de Lei para oferecer banheiros e bebedouros aos correntistas e, mesmo, a cobrança para que o veículo do cliente possa ser estacionado em algumas agências bancárias.

Na publicidade do setor, várias vezes premiada, vemos belas produções que exaltam qualidades como estar entre os maiores do mundo, outros entre os mais valiosos, ou mais admirados, ou sustentáveis, sólidos, confiáveis etc. Nas palestras e seminários de Marketing, RP e Comunicação ouvimos representantes exaltando premiações, governança, ações sociais, RH de primeira, Call Center 3.0 e dedicação aos clientes. Tudo ricamente ilustrado por fotos que remetem a bem estar.

Como cliente bancário há quatro décadas e como quem acompanha os fatos do Marketing e da Comunicação creio que colaboradores, acionistas e correntistas desfrutem de diferentes interpretações em relação à visão e aos atributos apresentados. Podem ocorrer dicotomias naturais em um grande mercado, mas elas deveriam ser melhor avaliadas. Um pouco mais de franqueza nas apresentações dos palestrantes nunca é demais. Reflexões sobre a auto-imagem também são bem vindas. É preciso saber se o que deseja está próximo do que desfruta. Como a empresa é notada pode ser diferente de como imagina ser vista.

O comunicador não deve se restringir aos intangíveis. Temos apreciações intangenciáveis para estabelecer, com maior clareza, o que é uma empresa. Percepção e avaliação nem sempre caminham juntas. E isso é válido para todos os setores da economia. 



Texto: Marcos Ernesto Rogatto é jornalista e trabalhou na Revista Veja e TV Globo São Paulo. Atualmente é diretor da produtora Vista Multimídia. É formado pela PUC Campinas, cursou Ciências Sociais na Unicamp e fez Mestrado em Multimeios também na Unicamp.
Fonte: http://www.aberje.com.br/

Márcia Canêdo

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quinta-feira, 14 de março de 2013

Nem tudo que reluz é ouro...


Existe um fascínio exacerbado pela tecnologia e suas modernas soluções para a comunicação organizacional. O louvor das novas mídias, especialmente a internet, leva à perda da noção crítica e da relativização dos benefícios. 
É positivo termos tantos canais de comunicação e mídias convergentes, em que todos podem virar autores. Publicamos, postamos e lemos com muito mais facilidade, o que é bem interessante, apesar dos muitos plágios e repetições. Mas, como perguntou Caetano Veloso nos anos 60 - em sua bela música Alegria Alegria -, podemos nos perguntar em 2012: Quem lê tanta notícia ? 

O Facebook foi o maior publisher da mídia digital no ano passado: em dezembro, os visitantes gastaram, em média, 4,8 horas no site, ante os 37 minutos do mesmo período de 2010. A visualização de vídeos online cresceu 74% e os brasileiros viram 4,7 bilhões deles. Isso consolida o segmento como uma das atividades online mais importantes da internet. Os dados são do relatório anual sobre as tendências digitais do Brasil, o “2012 Brazil Digital Future in Focus”, da ComScore. 


Abordagem interessante a da jornalista Natasha Singer, no The New York Times. Em artigo recente, afirma ser muito provável que a Acxiom Corporation saiba muitas coisas sobre nós - como idade, raça, sexo, peso, altura, estado civil, escolaridade, tendência política, hábitos de consumo, preocupações com a saúde, sonhos e assim por diante - do que sabem os nossos amigos. Para isso a empresa “de marketing de bancos de dados” (sic) utiliza mais de 23 mil servidores que capturam, comparam e analisam dados de consumidores. Seus servidores processam mais de 50 trilhões de “transações” por ano, em cerca de 1.500 categorias de dados por pessoa. Esta coleta e análise em grande escala tem como clientes grandes bancos, montadoras, pretrolíferas, grandes redes – e todas as companhias importantes que procuram conhecer muito bem os clientes. No Brasil, a Acxiom, afirma ter o registro de 175 milhões de pessoas !

Eli Pariser, autor do livro O Filtro Invisível, é um ativista digital que vem alertando contra a personalização em sites do gênero Facebook e Google. Segundo ele os resultados são filtrados para cada pessoa. Exemplo disso é que duas pessoas podem estar procurando a mesma palavra no mesmo momento e receberem resultados muito diferentes. Formas sutil de censura, que ele denomina de filtro invisível, na qual o internauta não é proibido de ver nada, mas a sua atenção é dirigida de forma que não perceba que a informação existe. Para Pariser há um dilema ético nessas formas como os resultados de busca são apresentados. 

Além de questões éticas e da privacidade, creio que excessos de canais podem ser o tal tiro pela culatra. Com a avalanche de informação, temos os plágios, repetições exaustivas e a falta de conteúdos criativos. Hoje os norte-americanos confiam bem pouco nas principais organizações de notícias dos Estados Unidos, revelou pesquisaelaborada pela Pew Research Center For The People and The Press. Em 2012 os veículos jornalísticos atingiram o menor grau de credibilidade da última década: 44% dos entrevistados atribuem nota 1 e 2 (negativa) para os meios. Em 2002 eram 30%. 

O sociólogo francês Dominique Wolton, um dos expoentes atuais das reflexões sobre a comunicação e na crítica da Web, alerta que o progresso tecnológico não significa, por si só, o avanço da comunicação humana e social. Para ele a mídia está submetida a uma dupla influência muito forte com a pressão econômica, através da concentração e a influência dos políticos que querem controlá-la. A elite dos jornalistas e das empresas de comunicação está muito próxima da classe dirigente. 
O Diretor do Laboratório de Informação, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, afirma que a concorrência entre as mídias faz com que todos tratem do mesmo assunto. Esse comportamento mimético acabaria por diminuir a confiança que o público tem no jornalista. Seria necessário um jornalismo menos autoreferente e com  postura reflexiva sobre todos os problemas da sociedade. 

Para Wolton, a internet é o “Titanic da cibercultura” pois vê nessas tecnologias contemporâneas de comunicação uma ilusão de contato que, na verdade, fecha cada um sobre si mesmo. Em seu livro Informar não é Comunicar trata dessas questões e da idolatria da internet que tem por trás grupos poderosos e às vezes interesses escusos, coisas que poucos conseguem enxergar. 

Outro autor crítico interessante é David Rothkopf, que dirige a revista Foreign Policy e escreveu livros como Power, Inc. Nesta última publicação cita exemplos de como empresas gigantes podem se tornar empecilho ao funcionamento dos Estados. Segundo o jornalista, dos 193 países membros das Nações Unidas, 161 tem menos recursos que as 2 mil principais empresas do mundo. O crescimento das corporações pode não trazer problemas se não influenciarem resultados políticos, regulamentação de mercados financeiros etc. Mas, segundo ele, o que não deveria acontecer, muitas vezes acontece. O governo deveria ser, além de provedor de serviços essenciais, um garantidor de jogo justo, cumpridor das leis anti corrupção, mantendo distância do dinheiro privado em campanhas públicas e limitando a capacidade de atores privados de fazerem lobby. 

Rothkopf cita exemplos como a Exxon Mobil, cujo faturamento anual se compara ao PIB Sueco, que tem orçamento dirigido especialmente aos direitos da população. Toda a soma que o país gasta em diplomacia é menor do que a companhia gasta em relações públicas. Ela opera em mais localidades do que as que têm embaixadas da Suécia. 

Em 2000 Naomi Klein publicou Sem Logo - A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido. Em visão cética, construiu formulações sobre o reino das marcas. Abordou os efeitos negativos que o marketing pode ter na cultura, no trabalho e nas escolhas do consumidor, mostrando como multinacionais convertem o mundo em uma oportunidade de mercado. O livro se transformou em manifesto do movimento antiglobalização, ao relatar pressões impostas pelas grandes empresas sobre seus trabalhadores. 

Klein hoje escreve sobre questões como culture jamming e reclaim the streets. Apologiza o movimento que se posiciona contra os efeitos negativos da globalização sobre a vida urbana em sociedade. Coloca-se contra o automóvel como modo predominante de transporte e contra certa corrida tecnológica e produtiva que fez os trabalhos de fabricação passarem para países estrangeiros, em locais conhecidos como zonas de processamento de exportação, sem leis trabalhistas e em péssimas condições de trabalho. Como influência dessa corrente do pensamento, hoje temos movimentos como o Occupy, cujos participantes se rebelavam contra um tipo de capitalismo predatório. 

Em um livro mais antigo, o Ideologia da Sociedade Industrial, Herbert Marcuse repetiu a crítica ao racionalismo da sociedade moderna, e tentou esboçar o caminho que poderá nos afastar dele. Representante da Escola de Frankfurt, já relacionava avanço tecnológico e reprodução da lógica capitalista, com ênfase no consumo. Para ele o problema da sociedade moderna é a invasão da mentalidade mercantilista e quantificadora a todos os domínios do pensamento. Essa mentalidade se representa economicamente pelo valor de troca, ligado de modo íntimo aos processos de alienação do homem. Marcuse se preocupava com o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, o racionalismo dominante nas sociedades modernas, os movimentos repressivos das liberdades individuais e o aniquilamento da Razão.
Em outro clássico Apocalípticos e Integrados, Umberto Eco analisava essa divisão frente à cultura de massa e a indústria cultural. De um lado a análise de que massificação da produção e do consumo constituíam a perda da essência da criação artística. Do outro lado aqueles que acreditavam vivermos enormes avanços, incentivo à criatividade e fortalecimento da democracia. 

Hoje com tantos jogos, chats e aplicativos sabemos que eles podem ter caráter viciante. A busca pelo equilíbrio na era digital fez surgir movimentos como o Wisdom 2.0. Em suas conferências seus integrantes abordam o que consideram o grande desafio do nosso tempo: fazer dos conectados, através da tecnologia, uma forma benéfica para o próprio bem-estar, eficaz em nosso trabalho, e útil para o mundo. 

Já é consenso que tecnologia demais faz mal à saúde. Nas conferências e entrevistas podemos notar que até os líderes e o alto escalão das grandes empresas de tecnologia têm manifestado preocupação com a intensidade do uso desses dispositivos e como estão prejudicando a produtividade e as interações pessoais. 

Alain de Botton é outro crítico da superficialidade do ambiente digital. Ele afirma que “companhias nervosas querem sempre entender o que é a mídia social. Mas se você observar de perto, na verdade as pessoas são bizarras”. Para o filósofo e escritor, que soma quase 240 mil seguidores no Twitter, o digital é apenas uma ferramenta de tecnologia.

Em entrevista durante a sua participação na Flip 2012 o escritor Jonathan Franzen afirmou que especialmente os jovens estão fascinados pela tecnologia como promessa de realização pessoal. Eles seriam mais contaminados por esse universo da imagem e da técnica, que não combina com o mundo real. “A tecnologia não cura a angústia” lembra o premiado autor. 

É certo que, nas palavras de Eco, estou sendo mais apocalíptico que integrado, ao citar autores dissonantes. Seria mais fácil utilizar os do discurso entusiasta, que encaram a tecnologia como o êxtase da Comunicação. Esses são bem mais abundantes. Mas, para evitarmos falências narrativas, é sempre bom termos visão crítica e considerar que, como no velho ditado, nem tudo que reluz é ouro. 



Texto: Marcos Ernesto Rogatto é jornalista e trabalhou na Revista Veja e TV Globo São Paulo. Atualmente é diretor da produtora Vista Multimídia. É formado pela PUC Campinas, cursou Ciências Sociais na Unicamp e fez Mestrado em Multimeios também na Unicamp.
Fonte: http://www.aberje.com.br/

Márcia Canêdo

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segunda-feira, 4 de março de 2013

O lado oculto da luz




Você já deve ter ouvido falar que o lado oculto da Lua é o lado que nós não conseguimos enxergar a partir da Terra, uma vez que a translação e a rotação lunares possuem o mesmo tempo de duração.  Isso não significa, no entanto, que esse lado que não conseguimos enxergar fique no escuro ou, muito menos, que não exista. Pelo contrário, o lado oculto é banhado pela luz do Sol durante o período da lua nova. 

É possível que você também saiba que, devido à força gravitacional que exerce sobre a Terra, a Lua influencia o volume, o fluxo e refluxo dos líquidos e das águas existentes na Terra, no interior dos vegetais e no corpo humano. As marés dos oceanos, dos rios, a seiva dos vegetais e o fluxo de sangue e de líquido no organismo sofrem, portanto, uma grande influência da Lua, na medida em que ela vai se movimentando em relação ao Sol. Com isto a vegetação, a agricultura, a pesca, o clima e até a saúde se tornam fortes áreas de influências da Lua.

O que talvez você ainda não tenha ouvido falar é que todos esses aspectos da Lua podem nos ajudar a entender alguns fenômenos complexos que observamos no mundo corporativo, a começar justamente pela influência que as organizações atualmente exercem sobre a Terra. Estima-se que as empresas sejam responsáveis por 50% do PIB mundial. Outra expressão clara dessa influência é que, entre as 100 maiores economias do mundo, 51 são corporações e apenas 49 são países.  Para ficar entre as que estão entre as 50 economias mais ricas do planeta, o Walmart possui um faturamento maior do que a Noruega, que ocupa a 25ª. posição em geração de riqueza. A Exxon Mobil bate a Tailândia, 30ª economia do mundo. A Chevron deixa a República Checa no chinelo.  A Philips é maior do que o Paquistão. Concentração de riqueza, como todos sabemos, gera poder em praticamente todas as esferas decisórias. É a Lua no céu e as empresas na Terra.

As organizações também têm seu lado oculto – não, não estamos falando de caixa dois ou de segredos industriais, mas do lado que cada organização tenta esconder não apenas do mundo externo, mas principalmente de si mesma.  Na verdade, podemos observar que muitas organizações já nascem com um lado oculto, enquanto outras o criam durante seu processo de amadurecimento. Esse lado varia de empresa para empresa, mas parece sempre estar relacionado à clássica e já manjada visão dualista de mundo. Por exemplo, existem organizações que atuam dentro de uma hierarquia bastante rígida, com papéis claros estabelecendo quem faz o que e quem obedece a quem. Essas organizações se movem num mundo regido pelo que nos separa. Líderes convivem com líderes, e liderados convivem com liderados. Esses grupos dividem-se em subgrupos por departamento, por função, por faixa etária - os da geração Y e os da geração X, as secretárias, os trainnees. Cada um tem sua turma. É como se não houvesse nada capaz de unir a todos. O que fica oculto, neste caso, é justamente essa percepção dos aspectos que nos unem. 

Líderes e liderados têm direitos e deveres diferentes, mas também têm histórias pessoais, sonhos, sentimentos, experiências que, reveladas, possivelmente, seriam capazes de transformar muitos desconhecidos em grandes amigos. No entanto, “estamos aqui para trabalhar” e a rigidez do que nos separa é tão forte que esse outro lado simplesmente fica oculto, perdido em algum lugar onde a luz não chega. 

Por outro lado, para prosseguir no mesmo raciocínio, existem empresas que têm uma clareza enorme do que nos une. Também são facílimas de identificar, pois demonstram abertamente uma enorme preocupação com as pessoas, com o meio ambiente, com a comunidade. Procuram construir uma marca respeitada, inclusiva, próxima e, assim, acabam se destacando entre as melhores empresas para trabalhar, as mais admiradas pelos consumidores e as mais invejadas pelos concorrentes. Esse tipo de organização trabalha como se fosse possível um mundo regido apenas pelo que nos une. 

Uma amiga minha, responsável pelo RH de uma dessas organizações, explicitou que o que movia essa empresa era o medo de ser “como as outras”, ou seja, tornar-se refém da síndrome de casa grande e senzala. Ela se referia às empresas guiadas pelo que nos separa, onde manda quem pode, obedece quem tem juízo. No entanto, na medida em que ela própria ignora - evita - esse aspecto em sua cultura, também acaba refém de uma outra síndrome ainda mais perigosa: a síndrome do socialismo utópico, que atua a partir da crença de que as pessoas são iguais. E a razão de essa crença ser ainda mais perigosa é que a expectativa sobre uma empresa que atua a partir do que nos une é infinitamente maior do que a que se projeta sobre a que opera do outro lado. Espera-se muito pouco de quem age sob a égide mecanicista, mas dos que se apresentam como humanistas, a estes, só resta a perfeição!

Então, se o funcionário administrativo pode se ausentar em seu horário de expediente para resolver um problema pessoal, nada mais natural que o operário de chão de fábrica faça o mesmo. O problema é que, se um escritório pode ficar vazio por algumas horas, uma linha de produção não pode parar porque alguém precisou dar uma saidinha. As coisas não são tão simples assim. Quem trabalha em produção e quem trabalha no administrativo têm, sim, direitos e deveres diferentes. Não aceitar essa condição é criar um poderoso e perigoso lado oculto. 

“Pensamento positivo gera pensamento negativo, simplesmente porque toda ação provoca sempre uma contra-ação”. Esta frase não me sai da cabeça, desde que a ouvi durante a aula especial na Escola de Diálogo de São Paulo proferida por Patrick Paul, doutor em medicina que há mais de 40 anos se dedica ao estudo dos sonhos e a relação entre psicologia e espiritualidade. Ela serve tanto para mim quanto para as organizações. Ambos estamos cultivando nossos lados ocultos quando nos deixamos levar apenas por um dos lados da historia. Qualquer semelhança com os princípios que regem o diálogo não é mera coincidência. A principal finalidade do diálogo é justamente ampliar a visão sobre determinado assunto, algo só possível quando incluímos os diferentes pontos de vista que os cercam. Portanto, o caminho mais curto e eficaz para lidar com os lados ocultos que vamos criando ao longo da vida é conversar com quem, em função de sua posição diferente da nossa no mundo, consegue enxergar aquilo que não conseguimos ver – não apenas conversar, mas, mesmo que não sejamos capazes de olhar com os olhos do outro, aceitar sua visão de mundo. Ao fazermos isso, nosso mundo cresce junto.

A palavra luz significa luminosidade, mas também representa um dos atos mais maravilhosos da vida, o nascimento. Quando não conseguimos entender alguma coisa, pedimos a alguém que “nos dê uma luz”. Diz-se de quem alcançou um determinado grau de evolução espiritual que é um iluminado. Luz, em primeira e última instância, é consciência. Colocar luz sobre algo é, portanto, o mesmo que tomar consciência do que antes estava oculto. 

O único momento em que a Lua fica toda escura ocorre quando a sombra da Terra impede que os raios solares a iluminem. Aí então acontece o eclipse total lunar, prova absoluta de que a Lua não possui luz própria. Precisa do Sol para ser revelada.  Organizações não possuem luz própria. Precisam das pessoas para serem reveladas. Mais do que isso, são as pessoas que dão luz às organizações, assim como cada diferente olhar sobre elas é como um raio de Sol sobre a Lua: quanto mais olhares uma organização for capaz de incluir, tanto mais iluminada ela será.



Texto: Fábio Betti Salgado (www.fabiobetti.com.br), sócio-fundador da Salgado & Serapicos, iniciou na área de comunicação em 1988 na Johnson & Johnson e, depois, especializou-se em comunicação interna na Dow Química.  



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sábado, 2 de março de 2013

Conteúdo estratégico: uma nova tendência em comunicações e relações públicas



O mundo da comunicação e das relações públicas está vivendo, em muitos aspectos, uma idade de ouro, a partir das contínuas inovações tecnológicas que influenciam os hábitos da opinião pública e, consequentemente, a prática dessas profissões. Há apenas dez anos, nossas práticas habituais eram muito mais simples, conhecidas e rotineiras. O tema está se tornando cada dia mais complicado, mas também muito mais emocionante e divertido.
Vamos fazer uma rápida revisão, para nos permitir compreender a situação. No começo do século 21, a internet deu um salto qualitativo gigante, ao passar de sua forma tradicional à nova internet 2.0, que permite uma inter-relação muito superior com os leitores. Como consequência, surgem os blogs, redes sociais, comentários de leitores etc. Paralelamente, explode o fenômeno dos smartphones, tablets e notebooks. O consumo de internet, tanto para ler, quanto para agregar informações, transforma-se em móvel. Os usuários migraram de “leitores de papel” para “leitores de telas” e começaram a ver notícias onde quer que estejam. A circulação de dados e informações na internet cresce de modo exponencial, alcançando limites inéditos.
Os profissionais de comunicação, por sua vez, viram-se obrigados a enfrentar o desafio de se adaptar às novas tecnologias, compreendê-las e aprender a usá-las. Trata-se de uma questão de sobrevivência como profissionais. Quando tudo parecia estar novamente sob controle, surge, entretanto, uma nova pergunta: se os usuários estão lendo cada vez mais na internet, que por sua vez aumenta sem parar a quantidade de informações disponíveis, como fazer para chamar a atenção do meu público? A resposta, nesse contexto, é evidente: com a criação de conteúdo estratégico.
Nos últimos dois anos, esse é o tema da moda entre os profissionais de comunicação e de relações públicas dos países desenvolvidos. Diante de um mundo saturado de informações, a criação de conteúdo estratégico se torna o caminho natural para as organizações que desejam afetar proativamente, de maneira positiva, seus públicos. Nos países anglo-saxões, já existem buscas profissionais para gerentes de comunicação e conteúdo – uma completa redefinição da profissão.
Vamos definir, então, o que é, para que serve e o que caracteriza a criação de conteúdo estratégico. No mundo atual, os profissionais de comunicação são, mais do que nunca, “contadores de histórias” (storytellers, em inglês). Em um contexto saturado de informações, criamos histórias que interessam aos meios de comunicação e que, além disso, podem ser publicadas em redes sociais e em blogs. Essas histórias devem ser interessantes para nosso público e, eventualmente, estar em formatos que chamem sua atenção e o convidem à leitura. Dessa forma, ganharemos uns minutos de seu tempo, ante uma enorme quantidade de informações com que competimos. Se chamarmos a atenção do público, que nos dedicou alguns minutos para ler nossa história, já teremos alcançado um importante resultado. Se, além disso, a história o seduziu, gerou uma percepção favorável sobre nossa empresa ou marca e, eventualmente, originar um desejo de compra, já podemos nos dar por satisfeitos, pois alcançamos 100% do objetivo.
O conteúdo é realmente estratégico, se cumprir uma série de objetivos. Em primeiro lugar, está claro que o objetivo perseguido é em termos de reputação ou de negócios. Todo conteúdo tem um fim persuasivo: tenta gerar um impacto positivo em nosso público. Mas esses objetivos, no entanto, nem sempre são fáceis de medir. No entanto, uma possibilidade que está ao nosso alcance é que o artigo conduza o leitor a um conteúdo mais especializado, um vídeo ou então leve a outras páginas de nossa empresa, para aprofundar seu interesse e gerar um compromisso maior.
Para chegar a esse ponto, contudo, é necessário realizar um processo que inclui: 1) chamar a atenção do nosso público; 2) atrair seu interesse para o tema; e 3) fazer com que se comprometa a pesquisar mais informações.
Para chamar a atenção do público, é necessário recorrer a recursos que nos diferenciem da imensidão de informações que circula atualmente. Se falarmos de um anúncio na imprensa ou de uma publicação em um blog, o título deve ser original e chamativo. Também podemos recorrer a imagens diferentes das quais o público está acostumado a ver. Fotos, vídeos, infográficos e quadrinhos são algumas das possibilidades às quais nos referimos.
Uma das características da internet é que os leitores só leem fragmentos de notícias. Portanto, devemos fazer o necessário para que o tema lhes interesse até o ponto de continuar lendo as informações. Como isso é possível? O conteúdo deve estar entre os interesses do público, tanto na escolha do tema quanto em seu enfoque. Por exemplo, a maioria dos compradores de tecnologia das empresas não está, a priori, interessada nas tecnologias que seus fornecedores querem vender a eles. Por outro lado, esses compradores estão muito interessados em soluções para seus próprios problemas. Se um conteúdo oferecer justamente isso, chamará a atenção desse leitor. Como exemplo concreto, os casos de sucesso bem realizados, depoimentos, webinars e outros recursos.
Ao chegar a esse ponto, é bem possível convencê-lo a buscar mais informações. A empresa deve facilitar esse processo, agregar links para outros sites em que ele possa encontrar informações mais precisas, como white papers, guias técnicos, demonstrações e, claro, a possibilidade de entrar em contato com os funcionários da empresa.
Em síntese, a internet gera o desafio de contar com uma estratégia de conteúdo ativa e constante. Mas isso significa, como dizem alguns colegas nos países desenvolvidos, que está nascendo uma nova disciplina, a de Comunicação, Relações Públicas e Marketing? Talvez seja cedo para ter uma opinião conclusiva. O que está claro é que se trata de uma ferramenta estratégica, da qual as organizações que praticam comunicações modernas não poderão prescindir.
Texto: Wrobel é doutor em Comunicações e bacharel em Jornalismo pela Universidad del Salvador, Buenos Aires – Argentina. Pós-graduado em Liderança no Ceida (Centro de Estúdios e Investigação de Dirigentes Agropecuários), é diretor de comunicações da Motorola Solutions para a América Latina.

Fonte: http://www.aberje.com.br

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Conservadorismos, manipulação e medo




Sempre que aparece no horizonte uma mínima possibilidade de mudança no status quo e, ainda que essa modificação se apresente como benéfica para grupos de pessoas tradicionalmente preteridas de seus direitos mais básicos, surgem sempre, como contraponto, os argumentos conservadores. Os defensores da não-mudança aparecem, então, dispostos a provar, por meio dos mecanismos retóricos que lhe são peculiares, que as inovações propostas são inúteis, equivocadas ou notoriamente danosas à sociedade.
Parece-me tarefa das mais difíceis definir, em linhas precisas e universais, o que vem a ser o pensamento conservador ou quais, exatamente, seriam suas premissas. Se, no entanto, eu tivesse que me arriscar a esboçar um aspecto constituinte desse tipo de mentalidade, diria que o conservadorismo tende a mesclar um permanente mal estar com a situação presente com um receio gigantesco de qualquer mudança com algum traço de ineditismo. Por isso, creio, o pensamento conservador ora aponta para o imobilismo, para a permanência das coisas em seu atual estado, ora para o regresso, com a adoção de fórmulas conhecidas que, alterando a situação política e social atual, pretendem apenas recuperar ou reavivar no presente, um modelo ou referência pretérita.
Os conservadores, penso, são pessoas essencialmente desencantadas com a humanidade e descrentes, em maior ou menor medida, do protagonismo histórico da espécie humana nas transformações culturais ou sociais. Esse desencanto os leva a crer que toda e qualquer mudança pensada por e para as pessoas são farsas premeditadas para servir aos apetites egoístas de uns poucos ou, quando muito, tendem sempre a se desnaturar, gerando uma nova situação sempre pior do que anterior. Talvez devido a essa descrença, a esse melancólico desencanto, são os conservadores presas fáceis da atemporalidade e da segurança dos dogmas religiosos e de teorias econômicas, históricas e sociológicas que, despindo a humanidade de qualquer autonomia sobre o seu destino e suas vontades, elegem, como força motriz, das mudanças alguns entes abstratos como, por exemplo, uma divindade ou a “mão invisível” do mercado.
Muitas vezes, a crítica conservadora, quando bem embasada, pode ajudar a prevenir a sociedade dos possíveis danos oriundos de mudanças que, por serem ou parecerem urgentes, acabaram sendo elaboradas sem que se sopesassem os possíveis danos colaterais de sua implementação. Na verdade, o conservadorismo aguçado, elaborado e crítico funciona como um contrapeso que, se não é sempre bem visto por aqueles para quem as mudanças urgem, ajudam, pelo menos, a enriquecer e lapidar propostas que podem alterar beneficamente a sociedade. O medo dos conservadores, em sua verve detalhista e dialógica, pode sim, por tudo isso, contribuir bastante para a solidificação e esclarecimento de mudanças necessárias. Nesse sentido, dar ouvidos a certas posições conservadoras é parte do diálogo democrático e não se está a dizer, em nenhum momento, que opiniões de espectro conservador devam ser sempre descartadas.
Há, porém, uma gama de situações e de contextos sociais, jurídicos e culturais em que os conservadorismos, muitas vezes de forma irrefletida, atuam como álibis para omissões estatais criminosas ou como endosso para situações de fato notoriamente injustas. Diante de questões muitas vezes discutidas a exaustão e que pedem mudanças urgentes na cultura, nas leis e nas práticas sociais, certos conservadorismos, usando de catastrofismos, teorias conspiratórias e falácias consequencialistas absurdas, acabam agindo como avalistas para a perpetuação de violências, injustiças e indignidades. São momentos em que os aspectos mais saudáveis do medo ou a desconfiança relativa ao novo, dão lugar à sua face irracional, patológica e nociva, beirando o delírio, a negação da realidade e dando vazão a uma discussão que, extrapolando o âmbito da racionalidade política, resvala para a guerra mais suja  contra os direitos alheios.
Embora possa parecer que eu estou exagerando, pode-se perceber, na contramão das discussões mais atuais, das estatísticas e mesmo da realidade sensível, um afã negacionista, de cores nitidamente conservadoras (que têm por intuito impedir mudanças em diferentes campos) sobre situações gravíssimas e que merecem pronto remédio legislativo, político e pedagógico.
Nega-se a existência de racismo no Brasil para impedir a implementação das políticas de cotas; nega-se que nossa cultura tradicionalmente machista acabou relegando às mulheres a um status de inferioridade cultural e de sujeição à violência alarmante; nega-se a existência de preconceito contra os homossexuais brasileiros muitas vezes na mesma frase em que se prescreve a eles ou elas limites para suas condutas e afetos para impedir a criminalização da discriminação por orientação sexual; nega-se o componente social da violência e da criminalidade ao mesmo tempo em que se clama por penas mais duras, mais penitenciárias e um estado mais policialesco. Nega-se a tudo, desenfreadamente, apenas para que as coisas permaneçam como estão, para que as mudanças, por mais necessárias e urgentes que sejam, simplesmente não venham.
Ao lado das negações, criam-se também teorias, invertem-se os pólos, transformam-se as minorias de direitos em algozes da liberdade.  Acusam as feministas de odiarem e de desejarem escravizar os homens; os negros de quererem para si privilégios e não direitos; os homossexuais de integrarem uma misteriosa maçonaria com o intuito de ceifar a religião; as minorias, de forma geral de tolherem a liberdade de expressão de comediantes que regurgitam preconceitos abjetos.
Em todas essas atitudes, percebe-se que o medo irracional do novo fala mais alto do que a disposição ao diálogo, ao entendimento dos anseios e necessidades do outro que é visto, aqui, como uma ameaça. Nem sempre o medo, aqui, deve ser entendido como um sentimento ingênuo, porém. Muitos desses argumentos, repetidos muitas vezes por pessoas que genuinamente temem as mudanças, são formulados por pessoas que têm interesses mais escusos e personalistas na conservação do atual estado de coisas.
Devemos nos lembrar que o medo é um campo fértil para a manipulação, sendo fartos na história mundial os exemplos em que o direcionamento dos receios da população foram direcionados contra um “inimigo” inventado por uma retórica catastrófica com o prosaico intuito de angariar ou manter nas mãos de alguns poucos, poderio político e econômico. É  a forma como operam as ditaduras, as potências imperialistas, os líderes carismáticos e, certamente, é algo a se ter em mente quando alguém lhe apresenta, como argumento para a manutenção de um certo status quo, uma desculpa fácil ou um inimigo demasiadamente ardiloso que empreende mudanças com o escopo único de lhe prejudicar.
Dito isso, é necessário que se faça aos conservadores um apelo importante: nunca deixem que o seu medo, por vezes justificado, de mudanças, sirva como obstáculo a um diálogo aberto ou, o que é pior, como um fator de desumanização daqueles que clamam pelo novo.
** Pedro Munhoz (@pedromunhoz5) advogado e historiador. 
Fonte:http:www.bhaz.com.br

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ser promoter não é ser relações-públicas. Ou é?


Desde que assumi a presidência do Conrerp no Rio de Janeiro, tenho recebido várias denúncias em cartas protocoladas e e-mails de todo o Brasil. As acusações são para o Conselho agir contra profissionais de outras áreas que se intitulam “promoters” e que a imprensa insiste em chamar de relações-públicas. São mensagens indignadas, mas que merecem uma pesquisa e uma resposta, porque vêm de bacharéis em Relações Públicas, registrados no Sistema Conferp/Conrerps regionais, que cumprem suas obrigações e seguem um código de ética que tem força de lei. 
O Rio de Janeiro é pioneiro na formação destes profissionais, que se multiplicaram por todo o país, conhecidos por cultivar listas e agendas de famosos. Eles são chamados pelas organizações e empresas para rechear de presenças notáveis suas festas, shows, salas Vips, HCs e camarotes. Essa ação faz com que jornalistas e fotógrafos, na sua cobertura, chamem a atenção para esse ou aquele evento que se queira estar nas colunas sociais, na mídia das celebridades, nos famosos “quem é quem” da sociedade e das corporações públicas e privadas. Este comparecimento ilustre e sua cobertura pela mídia acabam por tornar o evento um grande sucesso e a repetição no ano seguinte é dada como certa. Repetiu mais de duas vezes, o evento entra para o calendário social e se torna, inclusive, fonte de renda para muitas pessoas que trabalham no seu entorno. Um exemplo disso é a multiplicação dos Bailes de Carnaval que estão se tornando mais uma fonte de renda e atração para o turismo durante o reinado do Momo.
Esta “lista”, construída a duras penas e plumas, é o verdadeiro capital destes profissionais que usam seu network e sua influência para coroar os eventos das cidades. Quando de grandes eventos, muitas vezes, o promoter, responsável pelas presenças desse ou daquele camarote, esconde-se dos inoportunos que já foram ou querem ser futuras celebridades para conseguir “postar” seus nomes nestas “listas” e conseguir um convite.  Seu perfil é normalmente confundido com um relações-públicas porque são pessoas que cultivam seu DNA de conciliador, agregador das diversidades e gestor de relacionamentos. Aquele que sabe e consegue reunir em um mesmo local, em clima de festa ou confraternização, pessoas das mais diversas áreas, procedências, tribos e galeras. Promoters podem ser relações-públicas, advogados, publicitários, jornalistas por profissão ou simplesmente promoters. Dizem que sua origem está nas pessoas nascidas em famílias influentes porque representavam sua tradição na sociedade ou no setor produtivo e que começaram a promover festas beneficentes. A promoção também se estendeu para a produção do evento, em alguns casos.
Normalmente, quando recebemos esse tipo de denúncia que se chama “apropriação imerecida da profissão de RP”, enquanto Conselho Profissional, nós somos obrigados por lei a investigar a situação. Vamos aos clippings da mídia, aos sites ou blogs dos profissionais, às correspondências trocadas entre promoter e contratantes e muitas vezes diretamente aos promoters para verificar se a terminologia RP está sendo utilizada indevidamente. Se sim, procuramos informar e esclarecer as partes para que se adequem à legislação. É uma oportunidade para o profissional e para o Conselho. Se não está registrado porque não é bacharel em Relações Públicas, pode, mesmo assim recorrer a Resolução Normativa no. 11 de 1987, do Sistema Conrerp, criada pela saudosa profissional Vera Giangrande, cujo objetivo é o de regularizar parcialmente este tipo de pendência. Essa resolução disciplina o registro de Pessoas Jurídicas que exploram atividades de relações públicas em assessorias, consultorias e agências ou empresas de comunicação ou promoção social.  A concessão de Registro de Pessoa Jurídica - RPJ se dá mediante a aprovação em reuniões plenárias quinzenais dos conselheiros do Conrerp regional durante a  análise da apresentação do processo de solicitação de ingresso, bem como o contrato de trabalho de pelo menos um profissional registrado no Conrerp, como responsável técnico pelas atividades de Relações Públicas desenvolvidas naquela empresa.
Se não se adequar e não se interessar em cumprir a lei e respeitar a profissão, nada mais resta ao Conrerp do que seguir seu regimento e multar o profissional que está se utilizando de um chapéu que não lhe compete. Este é o retorno que um Conselho Profissional deve dar ao seu corpo de registrados. Mas estamos cada vez evoluindo mais para buscar um ponto comum e afim onde todos poderão usufruir do pertencimento a um Conselho Profissional que lhe dará a segurança de um código de ética legal para seguir.  E aos contratantes e à Sociedade a mesma tranquilidade para contratar. 

Texto de Lala Aranha- Relações-públicas pela FAMECOS/PUC-RS, é consultora da Teia de Aranha Comunicação.

Fonte: http://www.aberje.com.br/ 



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