Há muito tempo não
via um livro dar tanta polêmica quanto a Trilogia dos 50 Tons tem gerado nos
últimos meses. Muitos anos atrás “A Dama das
Camélias”, publicado em 1848, um romance do
escritor Alexandre Dumas Filho
causou frisson entre as moçoilas e
esposas na época de sua publicação. A história tem cunho autobiográfico, Dumas
Filho inspirou-se em suas próprias relações com a cortesã Marie
Duplessis, e ainda no fato de ser ele próprio filho ilegítimo de Alexandre Dumas. Experimentando a
rejeição, encontrou ao lado da amante a estabilidade que necessitava, e que
veio a ser-lhe o mote para o romance. O nome Dama
das Camélias é devido ao fato
de Margarita gostar de receber apenas um tipo de flor, a camélia. A
obra é ambientada na revolução de 1848, na França.
Retrata o romance entre Margarita Gautier, a mais cobiçada cortesã parisiense, e Armando
Duval, um jovem estudante de Direito.
O jovem Armando pertence à uma família aristocrática da Paris do século XIX.
Ele apaixona-se pela cortesã Margarita. Mesmo diante da intolerância de sua
família e do preconceito social, eles tentarão
viver sua história de amor.
Posteriormente em
1857, Madame Bovary , um romance escrito
por Gustave Flaubert resultou
num escândalo ao ser publicado. Quando o livro foi lançado, houve na França um
grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento
acusado de ofensa à moral e à religião. O romance contava a história de Emma, uma
mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo. Bonita e requintada para os
padrões provincianos casa-se com Charles, um médico do interior muito apaixonado pela
esposa, porém uma pessoa entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria
ao casamento ao qual a protagonista se sente presa.
Emma, cada vez mais angustiada e frustrada, acaba encontrando no adultério uma forma de encontrar a liberdade e a
felicidade. Apesar da intensa procura de uma vida digna, e o fato dela não se
dar valor, dificilmente consegue sentir-se satisfeita com o que é e o que tem.
Em 2011 quem revolucionou
o mundo da literatura foi o romance erótico bestseller da autora inglesa Erika Leonard James de nome 50 Tons de Cinza, primeiro livro de uma
trilogia. A obra vem deixando
homens alvoroçados que não entendem o fenômeno Christian Grey que fez com que o
livro vendesse mais de 10 milhões de cópias mas primeiras seis semanas. Publicado em 47 países, sendo no
Brasil pela Editora
Intrínseca a obra retrata a vida de Anastasia Steele, uma virgem de
21 anos estudante de Literatura que, após entrevistar o magnata para o jornal
da faculdade, se interessa pelo mesmo e é correspondida. Com uma trama que se
desenrola em Seattle, em meio ao luxo, a protagonista descobre, por meio de Christian Grey, o mundo
do sadomasoquismo,
descrito através de uma linguagem simples próprias dos romances. A autora
mostra no decorrer da história detalhes da prática de bondage, sadismo e masoquismo.
Porém antes de
simplesmente ser considerado um livro erótico, o que vem incomodando a muita
gente são as quebras de tabus que muitos insistem em manter. Seria o caso que a
pessoa até pode praticar as técnicas descritas no livro só que escondido para
que ninguém fique sabendo, o que retrata a hipocrisia tão arraigada em nossa
sociedade machista. Na realidade a obra nada mais que retrata um romance insólito
entre um homem bonito, extremamente rico e bem sucedido em seu trabalho e uma
jovem inacreditavelmente virgem aos 21 anos e recém-saída da faculdade e vinda
da classe média. Trazendo para o mundo real este romance teria mínimas chances de
dar certo, mas a função do livro não é justamente nos levar a viajar sem sair
do lugar?! Então qual o problema se este romance não daria certo fora das
páginas e de nossa imaginação??!! Christian Grey é simplesmente o homem dos
sonhos de todas as mulheres (ou pelo menos de 9 em 10 mulheres...rsrs) , não é
a toa que a trilogia foi escrita por uma mulher e o sucesso que vem fazendo se
deve ao fato dele fazer o máximo para agradar a “mocinha da história”. Até
mesmo a pegada erótica que vem incomodando tanto aos homens de modo geral, é o
objeto de desejo das mulheres sexualmente bem resolvidas. A mulher moderna já
admite o que gosta de fazer em sua intimidade, não deixa mais tudo nas mãos dos
homens e isso nem sempre é bem visto pela sociedade.
Portanto antes de
se chocar com Damas das Camélias, Madames Bovarys e Christians Greys da ficção deveriam se incomodar com as
falcatruas de nossos políticos, crimes sem solução, roubos no orçamento público
que nunca foram resolvidos e outros tantos absurdos que encheriam algumas
páginas de texto se os fossem descrever.
A trilogia 50 Tons de Cinza não foi a primeira e nem será a última obra
literária a incomodar então que as editoras e escritores aproveitem a deixa e
lancem boas obras quebrando mais tabus de nossa sociedade. Que fique bem claro:
não estou dizendo para que escritores plagiem a obra, mudando nomes e
profissões dos personagens principais e sim que aproveitem para quebrar outros
tantos tabus que ainda incomodam e merecem ser discutidos e revistos. Cópias
descaradas já existem, porém dificilmente alcançaram o mesmo sucesso de vendas
que a autora E. L. James conseguiu.
Márcia Canêdo
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