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domingo, 3 de janeiro de 2010

Conversão de Valores: O delito como algo aceitável.

Ontem, comentando um artigo de nosso colega na comunidade do diHiTT, em seu Blog do Francisco Castro, me veio novamente a impressão de como o povo brasileiro tem se mostrado passivo demais frente aos absurdos que acometem esse país, diariamente. Na verdade, hora a hora. Basta que assistamos aos noticiários.

O tema de seu artigo falava do orgulho que, nós brasileiros, deveríamos nos munir em ser brasileiros. Diz nosso amigo, otimista e progressista, acima de tudo, que o Brasil cresceu em vários aspectos, com relação à visibilidade econômica e estratégica, diante do cenário internacional. Compartilho, sinceramente de sua opinião, devendo este crescimento ser atribuído, em primeiríssimo lugar, a nossa capacidade de trabalho e superação. A vontade que o povo brasileiro tem de vencer seus desafios e sua vocação para o novo é algo invejável para o resto do mundo, e muito mais para o Velho Mundo, cheio de antigas picuinhas étnicas e velhas crenças políticas, rançosas como só elas.

Transcreverei meu comentário ao artigo citado:

Olha, Francisco!!

Eu tenho orgulho de ter nascido no Brasil sim!! Tenho orgulho e amo essa terra. Mas não dá de ter orgulho da forma como esse país vem sendo administrado desde a colonização, da mesma forma clientelista e coronelista. Não há como!!

Não há como compactuar com a passividade da maior parte da sociedade frente às afrontas que sofremos, ora dos mandatários, postos pelo povo lá, ora de bandidos e traficantes (que são mandatários também, legítimos ou ilegítimos).

Ter orgulho de ser brasileiro é uma coisa. Agora, ter orgulho da cultura social que se apropriou do Brasil, por hábitos e práticas sórdidas de mídia, política e inversão de valores é inaceitável pra mim.

Nunca vou aceitar que um condenado *** consiga sustentar sua família da cadeia (pelo salário que sua família ganha por ele estar recluso) e um homem de bem, trabalhador, pai de família, ser desonrado com pouco ou nenhum amparo do Estado, correndo o risco de ver sua família passar necessidades pela baixíssima remuneração.

Eu sinto orgulho da minha nacionalidade e tudo que ela representa. Mas sinto uma imensa vergonha da passividade patética desse povo que é ordeiro demais, que beira à mediocridade e à covardia, frente às afrontas que recebe em face.

Abçs Francisco!!

Confesso que minha resposta ao artigo foi um tanto "passional". Mas qual brasileiro, sendo achincalhado em face por todas essas coisas burlescas e absurdas diariamente, não se comoveria nas vísceras pela pátria, sugada em suas entranhas, ultrajada em sua honra??

Não presenciamos uma inversão de valores. os bons valores continuam a ser bons. Testemunhamos sim, em grande parte da sociedade brasileira, uma conversão de valores. A máscara da cara-de-pau é tão asquerosa que já consegue convencer as mentes alienadas (e as nossas, perplexas, e isso é incrível) que direitos humanos significam beneplácito ao crime, que os pobres todos, inclusive os que não tiveram qualquer chance, devem por si só (e que se virem!!) encontrar as oportunidades de vencer na vida.


E eles continuam a dizer que há democracia no Brasil...


Afinal, aos que acabaram de encontrar trabalho, é fácil rotular alguém desempregado de vagabundo. É fácil gabar-se dos seus sacrifícios pela profissão quando já se chegou ao topo ou perto dele. É fácil dizer que os presos merecem melhor tratamento enquanto eles ainda não nos levaram toda uma vida de economias ou estruparam nossas filhas. E é imcomparavelmente mais simples e cômodo culpar os políticos pela podridão no Executivo e Legislativo. A culpa é nossa, em crer, de maneira infantil e simplória, que há algum tipo de democracia quando se fala em poder. Não há democracia nem entre nós, dominados!! Basta ir a uma reunião de condomínio, para vermos o que é uma democracia, o que significa o (des-) respeito entre as pessoas.

A conversão de valores não é sua inversão. É apenas tratar todas essas situações absurdas como coisas normais, naturais. Afinal, não temos direito de julgar ninguém, não é mesmo?? Temos de perdoar e dar a outra face?? Transformar bandidos em coitadinhos, político corrupto em emblema e exemplo de nossa criatividade. E ainda temos a desfaçatez de rir de um desgraçado que esconde nosso dinheiro em sua cueca catinguenta!!

Essa conversão das mazelas em coisas não tão feias é apenas uma ótica especial, uma defesa da Consciência para tornar nosso remorso, em termos colocado aqueles calhordas no poder, em algo menos intragável. A conversão de valores é o seu relaxamento, é uma forma anestesiarmos nossa Consciência das dores que ainda sobram das épocas de Ditadura, tanto a de 64 como as outras que antevieram. Esses traumas ainda estão presentes, são fantasmas que distorcem, sem que percebamos, todo o nosso sistema de valores. E, se continuarmos a permitir que se desdobre, esse quadro ainda há de levar a sociedade a amarguras ainda piores.

By Júlio César Coelho with 13 comments

13 comentários:

Converter os valores tá bem explicado. Nunca tinha pensando em termos tão óbvios. E o resultado desta conversão se chama Omissão. O maior e triste dos pecados da humanidade.

Estou aplaudindo em pé. Você escreveu exatamente o que penso e sinto. O Brasil é um país maravilhoso em mãos inescrupulosas.
O povo, mantido no cativeiro da ignorância aprendeu a conviver e a agradecer a esmola que lhe dão. Pintam de ouro o chicote rubro de sangue dos pobres, encobrem as falcatruas com pão e circo. E nós seguimos rindo e agradecendo o pão de cada dia.
Parabéns, amiga.
Beijos
Bel

Vi a foto da Márcia no blog e acho que respondi como sendo dela o texto. Se fiz isso, peço desculpas Ebrael, mas creia, continuo em pé aplaudindo (agora as palmas vão para você rsrsr.
Beijos
Bel

Ebrael, eu gosto muito de ler o que o Francisco tem a dizer. Sempre me faz pensar. Tanto assim, que vc trouxe este assunto e levantou um sentimento sobre o que é ser patriota e a realidade cruel de como vivemos hoje.

O comentário do Antonio foi perfeito. Adorei a narrativa dele, trazendo a tona sua experiência de vivencia e observância.

Eu pensava e me iludia num futuro promissor. Parece utopia.

Todo mundo aqui sabe de minhas mazelas na justiça, parcial, cega.. que nem está aí para uma mulher sozinha que teve coragem de dar sua cara a tapa numa DEAM e que como consequencia, tem uma criancinha alvo de artilharia de adultos vis.

Precisamos de coragem, reformas sérias. Enquanto isso, vejo carros que valem um apartamento desfilando numa cidade que um amigo meu tomou um tiro na cabeça por causa de um celular.

Eu acho que vivo numa cidade em guerra... onde os bandidos derrubam helicopteros militares.

Esquisito tudo isso ou sou eu a esquisita?

Amigo Ebrael,

Faço coro á sua indignação,ela tambem é minha.

Nossa indiferença em relação ás questões fundamentais atravancam o nosso proprio desenvolvimento,a lei de Gerson impera,sempre temos um culpado pra tudo,isso precisa ser mudado.

Somos o resultado dos nossos proprios atos,um país forte depende de um povo também forte.

Abraços amigo.

Olá, Ebrael, em primeiro lugar faço coro ás palmas da nossa amiga Isabel, você está de parabéns, excelente reflexão.
Bom ... faço parte dos brasileiros que utopicamente acreditam num futuro melhor, porém que tem consciência que a apatia do próprio povo que nos levou a atual situação que vivemos. Você usou o termo "conversão de valores", eu diria mais, vivemos um período de "inversão de valores".Ser honesto, trabalhador, ter hombridade, humildade já não são mais valores defendidos. Infelizmente o que mais vemos por toda parte é a podridão das tramóias e golpes em cima de inocentes, mensalões, injustiças de todo jeito e que ao final saem impunes. Aí de quem é a culpa?! Fácil dizer que seria apenas dos governantes e da justiça,mais se formos refletir bem , a maior parcela de culpa em toda essa situação é nossa mesmo,a sociedade, que "aceita" sem se rebelar, sem dar o troco na hora certa (eleições por exemplo).
O "Brasil:Ame-o ou Deixe-o" da época da ditadura, continua até hoje, não nos dão direito a reclamar dos absurdos a que somos submetidos todos os dias,se não estamos satisfeitos acabamos sendo reprimidos.

Beijos no coração,
Márcia Canêdo

Ebrael

O post aborda um assunto altamente preocupante e que apresenta resultados nocivos a todos os indivíduos. Abordá-lo e comentá-lo não é simples, este tipo de atitude nociva existe desde os primórdios da sociedade humana e não tem, e nunca teve, fronteiras, pois ocorre, com diferentes intensidades, em todos os países. Eu creio numa solução, porém não tenho como estimar o tempo necessário para a alcançarmos, nem mesmo, como estimar o tempo para alcançarmos níveis satisfatórios.

Quanto às ações necessárias para mudarmos este estado de coisa, não há consenso. Eu tenho a minha linha de pensamento e ajo a cada dia para que eu contribua, cada vez menos, com este estado de conversão - ou inversão - além de poder contribuir, cada vez mais, para o despertar de outras consciências além da minha.

"Se cada um varresse a calçada de sua casa, ao fim do dia a rua toda estaria limpa." (Jean Vien Jean)

A questão é que ainda não estamos aptos "a varrer corretamente a nossa calçada". Inúmeros exemplos de atitudes incorretas podem ser dados : o uso indevido e a tomada para si do dinheiro público, o não pedido de nota fiscal mesmo para compras de bens de baixos valores (pães, canetas, gasolina, ...), o desvio de verbas, a troca de favores de forma interesseira, burlar as regras onde há competição e demais atitudes que geram tantos escândalos que vemos dia a dia nos noticiários.

Parabéns por abordar esse assunto, pois permite a todos que o lerem as reflexões e ações necessárias para melhorarmos esta situação.

Um abraço.

Nelson

Saudações,

Em tragedias o povo Brasileiro é solidario , mas união mesmo so em copa do mundo torcendo pela seleção
canarinho ,so que este canarinho esta preso a muito tempo a picuinhas e traquinagens infelizmente inversão de valores.

Pelo voto LIVRE !

Roberto

A política é uma ciência complicada, nem mesmo os países mais ricos do mundo estão livres de controvérsias.

O Brasil parece um caso perdido, mas chegou a uma situação onde a maior parte dos políticos já passou pela esquerda.

Para entender, ou tentar entender, a política, para melhorar, ou tentar melhorá-la, é preciso acompanhá-la, divulgá-la, tomar partido, literalmente falando, como o Francisco faz.

Além do Francisco o Algeu e o Erick também. Se não temos um político honesto sequer, se desde o descobrimento nada deu certo, alguma coisa está errada, e não é com os políticos, é conosco. Está na hora de falar, falar e falar, mostrar e dar o nome aos bois, e educar muito.


Se todo povo tem o Governo que merece, se o político representa o povo, então...antes tinha o problema da mídia, agora temos a internet...

Mais do que criticar, temos que apresentar as soluções, isso todos nós sabemos, começa no imposto alto, passa pela corrupção...

O auxílio reclusão não é destinado ao preso, mas à sua família. Não podemos condenar o filho de um condenado pelos crimes que seu pai cometeu. Não significa perdão ao preso. Significa defender a sociedade para que não exista entre nós uma "casta" de ladrões e criminosos, como na realidade acontece.

O branco nobre discrimina os negros nordestinos pobres e os condena, cerceando a liberdade de crescerem e confinando-os à favelas sem permitir sua ascensão social e sentem ódio quando são destinados recursos para melhorar o desenvolvimento dos estados nordestinos ou urbanizar favelas dos que de lá fugiram.

Criamos castas e as discriminamos condenando-as sem que nenhum crime tenha sido cometido. Isto é humano? É humano condenar o filho de um condenado sem que este tenha cometido crime algum (até agora)propiciando condições para que tenhamos novos criminosos?

OI!
Eu li o texto que o Francisco escreveu e deixei lá, também, um comentário!!!
Tenho a mesma opinião que vc...adore ser brasileira, mas não há como não sentir vergonha, nojo,raiva diante de tantas barbaridades que cometem em nosso país!
Na minha opinião, parece que as pessoas estão anestesiadas. Acampanham tudo pelos noticiários sem nada fazer!! Como eu disse para o Fancisco, não vejo futuro para os meus filhos num país que está tomando um rumo totalmente equivocado. Um país onde a educação é tratada com descaso não pode ter perspectivas boas!
Abs
Carla
http://mamaecaprichosa.blogspot.com

Olá querido amigo Ebrael,

Aposentei em 2003 como funcionária pública municipal,no cargo de procurador, após 31 anos de serviço, e sob essa condição de servidor, mantive-me afastada de qualquer envolvimento político.

Ou você se envolve nos desmandos dos governantes e desfruta de benefícios, ou você é totalmente apolítico e leva seu departamento nas costas, como um burro de carga.

Preferi a segunda opção.
Não me arrependo.

Aplaudo, em pé, aos gritos de "Bravo, Bravo" as suas colocações.

Respeito os comentários dos amigos citados pelo amigo Jânio:
""Além do Francisco, o Algeu e o Erick também. Se não temos um político honesto sequer, se desde o descobrimento nada deu certo, alguma coisa está errada, e não é com os políticos, é conosco. Está na hora de falar, falar e falar, mostrar e dar o nome aos bois, e educar muito.""

É só ler esse trecho e constatar que, mesmo quem defende os políticos, ou seja, o governo, tem conhecimento e ratifica ao escrever sobre a desonestidade daqueles, e ainda, fala que alguma coisa está errada, mas não é com os políticos e sim conosco??? Fico indignada!!!

Repito:

Aplaudo, em pé, aos gritos de "Bravo, Bravo" as suas colocações.

Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian

Olá querido amigo Ebrael, eu de novo, para dizer que concordo com o que o amigo Erick escreveu quanto à verba destinada aos filhos de réus presos. Eles não têm culpa dos erros dos pais e merecem auxílio.

Eu mesma ajudei a fundar a ASSARI -Associação de Assistência às Reeducandas de Indaiatuba, quando a cadeia daqui era feminina, pois acho que precisavam ser reeducadas para a vida social, mas essa atitude e meu coração voltado ao voluntariado social, não altera meu modo de pensar a respeito do fator público e político do Brasil.

Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian

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